Série Relações Diplomáticas - Brasil/Nicaragua


A emissão Série Relações Diplomáticas Brasil Nicarágua, focaliza a literatura homenageando Rubén Darío, pseudônimo de Félix Rubén Garcia Sarmiento, (1867 – 1916), poeta, jornalista e diplomata nicaraguense.


Iniciador e representante do Modernismo literário em língua espanhola. É chamado de “príncipe de las letras castellanas”.


Pelo lado brasileiro, Manoel de Barros (Manoel Wenceslau Leite de Barros, 1916 – 2014), advogado, fazendeiro e poeta, autor de 35 livros, alguns deles publicados, também, em Portugal, na Espanha e na França.

Vencedor de diversos prêmios, entre eles dois Jabutis de Literatura, na categoria poesia, em 1989 e na categoria ficção, em 2002.


A emissão desses selos contou com apoio da Embaixada Nicaraguense, em Brasília. Brasil e Nicarágua mantém relações diplomáticas desde 1905. As trocas comerciais entre os dois países tiveram um crescimento contínuo nos últimos anos. Do Brasil, a Nicarágua compra basicamente café solúvel, terminais portáteis de telefonia celular, sementes forrageiras, móveis de madeira, folhas e tiras de alumínio e papel fibra. Já os brasileiros compram da Nicarágua, camisas de algodão, resíduos de alumínio, charutos e cigarrilhas, além de fibras sintéticas.


Sobre os selos

Os selos focalizam os renomados poetas Manoel de Barros e Rubén Darío no contexto da emissão que integra a Série Relações Diplomáticas: Brasil – Nicarágua. O mato-grossense Manoel de Barros, aclamado poeta brasileiro da contemporaneidade nos meios literários, com expressividade junto ao público infantil, teve diversas obras traduzidas para outros idiomas. Já o nicaraguense Rubén Darío, considerado o Príncipe das Letras Castelhanas, foi representante do modernismo e influenciou o desenvolvimento artístico latino-americano no século passado. Para as artes dos selos foram utilizadas fotos em preto e branco e técnicas de computação gráfica.


ABOUT THE STAMPS

The stamps focus on the renowned poets Manoel de Barros and Rubén Darío in the context of the emission which is part of the Diplomatic Relations Series: Brazil- Nicaragua. Manoel de Barros from Mato Grosso State, the acclaimed Brazilian poet of contemporary literary circles, with expressiveness amongst children, had many works translated into other languages. The Nicaraguan Rubén Darío was already considered the Prince of Castilian Letters. He was the representative of modernism and influenced the artistic development of Latin America in the last century. The artwork was made utilizing black & white pictures and computer graphic techniques.


DETALHES TÉCNICOS

Edital nº 2

Fotos: Lucas de Barros (Manoel de Barros); Foto de Rubén Darío cedida pela Embaixada da Nicarágua no Brasil

Processo de impressão: ofsete

Folha: 24 selos

Papel: cuchê gomado

Valor facial: R$ 2,95

Tiragem: 480.000 selos

Área de desenho: 33mm x 33mm

Dimensão do selo: 38mm x 38mm

Picotagem: 11,5 x 11,5

Data de emissão: 25/02/2016

Local de lançamento: Brasília/DF

Peça Filatélica: Envelope de 1º Dia de Circulação

Impressão: Casa da Moeda do Brasil

Versão: Departamento de Gestão Cultural/Correios

Código de comercialização: 852012071


TECHNICAL DETAILS

Pictures: Lucas de Barros (Manoel de Barros); Picture of Rubén Darío ceded by Embassy of Nicaragua in Brazil

Print system: offset

Sheet size: 24 stamps

Paper: gummed chalky paper

Face value: R$ 2.95

Issue: 480,000 stamps

Design area: 33mm x 33mm

Stamp dimension: 38mm x 38mm

Perforation: 11.5 x 11.5

Date of issue: February 25th, 2016

Philatelic Item: FDC

Place of issue: Brasília/DF

Printing: Brazilian Mint

English version: Department of Cultural Management/Correios Brasil.

Code: 852012071


Série Relações Diplomáticas Brasil – Nicarágua

Duas Nações e a força literária dos poetas – Rubén Darío e Manoel de Barros


Félix Rubén García Sarmiento, conhecido como Rubén Darío (18 de janeiro de 1867, Metapa – hoje cidade Darío – Nicarágua / 6 de fevereiro de 1916, León, Nicarágua) é considerado o mais alto exponente da cultura nicaraguense, destacando-se na poesia de língua espanhola, cuja projeção ganha espaço na Filatelia universal com esta emissão de selos postais da Série Relações Diplomáticas Brasil – Nicarágua. Representante do Modernismo literário em língua espanhola, sua influência na poesia do século 20 proporcionou-lhe o título de Príncipe das Letras Castelhanas. Seu legado ganhou o mundo, inspirando os poetas contemporâneos, e incentivando novas formas na arte e na literatura no continente americano. Suas primeiras publicações, em 1887, foram em Santiago do Chile, onde, à época, o poeta residia: Abrojos (1887), Primeras Notas (1888), inicialmente intitulado Epístolas y Poemas, e Azul (1888), poesia e contos, considerada a primeira obra do Modernismo latino-americano, carregada de sensualidade, erotismo e musicalidade. Viveu em El Salvador, no Chile, na Guatemala, na Costa Rica, na Argentina, entre outros países do continente. Morou, também, em Paris, Madrid e Barcelona. Viajou por quase toda a Europa. Esteve no Rio de Janeiro como diplomata, em 1906, representando a delegação nicaraguense na Terceira Conferência Pan-americana. Trabalhou como redator e correspondente em diversos jornais da Nicarágua, Argentina, Chile e Madrid. Cultivou amizade com muitos de seus contemporâneos, entre eles, Horácio Quiroga e Leopoldo Lugones, Juan Ramón Jiménez e Ramón Maria del Valle- Inclán. No Brasil, foi amigo dos escritores Fontoura Xavier, Elisio de Carvalho e José Verissimo, quem o saudou em sessão solene na Academia Brasileira de Letras, em 1912.

Deixou uma vasta produção de ensaios, contos e crônicas, em parte recolhidos em Peregrinaciones (1901), La Caravana Pasa (1903) e Tierras Solares (1904), interpretando lucidamente os acontecimentos políticos, os problemas sociais e os fenônemos culturais do seu tempo. Além de fundador da poesia moderna, em espanhol, Rubén Darío foi um cantor privilegiado, e formador da identidade cultural latino-americana. Em 1896, em Buenos Aires, publica a sua obra mais importante, que consolida a modernidade literária no mundo hispânico: Prosas Profanas y Otros Poemas, e Cantos de Vida y Esperanza, de 1905, publicado em Madrid. Rubén Darío iniciou o Movimento Modernista influenciado pela poesia francesa, pelos estilos românticos, o parnasianismo e o simbolismo. O mesmo autor referiu-se ao Modernismo desta forma: “não é outra coisa que o verso e a prosa castelhana passada pelo fino crivo do bom verso e da boa prosa francesa.” Seu estilo é celebrado em toda a América Latina e seu legado transcendeu além de nosso continente até se converter em referências da produção literária latino- americana do século 20.


Lorena Martínez

Embaixadora da República da Nicarágua no Brasil


Manoel Wenceslau Leite de Barros, conhecido como Manoel de Barros, nasceu no Beco da Marinha, em Cuiabá, Mato Grosso, em 19 de dezembro de 1916, passando sua infância no Mato Grosso do Sul, primeiro numa fazenda próxima a Corumbá, depois num internato em Campo Grande. Aos doze anos, foi matriculado no Colégio São José, no Rio de Janeiro, onde familiarizou-se com os clássicos da literatura portuguesa e francesa. Em 1934, entrou para o curso de Direito. Nessa época, já escrevia sonetos e estudava a obra de autores modernistas como Raul Bopp, Mario de Andrade e Manoel Bandeira. Seu primeiro livro, Poemas concebidos sem pecado, é de 1937, publicado artesanalmente com o apoio de Henrique Vale.

No início da década de 1940, retornou a Mato Grosso, mas por pouco tempo. Recusou a direção de um cartório e voltou ao Rio de Janeiro, para atuar como advogado. Em 1942, publicou seu segundo livro, Face imóvel. Entre 1943 e 1945, viveu em Nova York, frequentando cursos de cinema e pintura no MoMA - Museu de Arte Moderna de Nova York. Viajou por vários lugares da América do Sul e pela Europa. Em 1947, casou-se com Stella dos Santos Cruz, com quem teve três filhos: Pedro, Martha e João. Em 1956, publicou Poesias e, dois anos depois, retornou com a família para Mato Grosso, para administrar a fazenda que -herdara do pai. Em 1961, lançou Compêndio para uso dos pássaros. O livro conquistou o prêmio Orlando Dantas, do Diário de Notícias. Na sequência, veio Gramática expositiva do chão, de 1969, também premiado. Em 1974, com Matéria de poesia, seu trabalho conquistou definitivamente maior circulação e receptividade, recebendo elogios e críticas positivas de nomes como Fausto Wolff, Antônio Houaiss e Millôr Fernandes, entre outros. Em 1982, lançou Arranjos para assobio. Em 1985, Livro de pré-coisas e, em 1989, O guardador de águas. Todos premiados e aclamados pela crítica. Na década de 1990, publicou Concerto a céu aberto para solos de aves (1991), O livro das ignorãças (1993), Livro sobre nada (1996) e Retrato do artista quando coisa (1998). Sua primeira incursão na literatura infantil, com Exercícios de ser criança, foi em 1999. Em 2000, publicou Ensaios fotográficos e, no ano seguinte, Tratado geral das grandezas do ínfimo e o livro infantil, O fazedor de amanhecer. A essa altura, sua obra já havia ganhado traduções em diversas línguas, além de continuar granjeando os mais importantes prêmios literários (recebeu duas vezes o Prêmio Jabuti, duas vezes o Nestlé, Academia Brasileira de Letras, APCA, Biblioteca Nacional etc.) e homenagens. Sua incursão pela prosa poética, com Memórias inventadas: A infância, é de 2003, mesmo ano em que lançou seu terceiro livro para o público infantil, Cantigas para um passarinho à toa. Em 2004, publicou Poemas rupestres. Em 2006, Memórias inventadas: A segunda infância. No ano seguinte, Poemas em língua de brincar, mais um livro seu dedicado aos pequenos leitores. Em 2008, encerrou a trilogia com Memórias inventadas: A terceira infância. Em 2010, publicou Menino do mato, mesmo ano em que saem suas poesias completas em Portugal. No ano seguinte, Escritos em verbal de ave. Em 2013, seu último poema — “A turma”. Faleceu em 13 de novembro de 2014, aos 97 anos.


Martha Barros


Diplomatic Relations Series Brazil – Nicaragua

Two Nations and the literary power of poets – Rubén Darío and Manoel de Barros


Félix Rubén García Sarmiento, known as Rubén Darío (18th of January 1867, Metapa – nowadays Dario city – Nicaragua / February 1916, León, Nicaragua) is considered the highest exponent of Nicaraguan culture, highlighting the Spanish poetry, whose projection is gaining ground in the universal Philately with this issue of postage stamps of the Diplomatic Relations Series Brazil - Nicaragua. Representative of the Modernism Literary in the Spanish language, his influence in the 20th century Poetry gave him the title of Prince of Castilian letters. His legacy has conquered the world, inspiring contemporary poets, and encouraging new forms of art and literature in the Americas. His first publications in 1887 were in Santiago, Chile, where the poet lived at the time: Abrojos (1887), Primeras Notas (1888), originally titled Epístolas y Poemas, and Azul (1888), poetry and short stories, considered the first work of Latin American modernism, full of sensuality, eroticism and musicality. He lived in El Salvador, Chile, Guatemala, Costa Rica, Argentina, among other countries of the continent. He also lived in Paris, Madrid and Barcelona. He traveled through most of the European continent. He was in Rio de Janeiro as a diplomat in 1906, representing the Nicaraguan delegation at the Third Pan-American Conference. He worked as an editor and correspondent for several newspapers from Nicaragua, Argentina, Chile and Madrid. Cultivated friendships with many of his contemporaries, among them Horacio Quiroga and Leopoldo Lugones, Juan Ramón Jiménez and Ramón Maria del Valle- Inclán. In Brazil, he was friends with the writers Fontoura Xavier, Elisio de Carvalho and José Veríssimo, who greeted him in a formal ceremony in the Brazilian Academy of Letters in 1912. He left a vast production of essays, short stories and chronicles, partly collected in Peregrinaciones (1901), La Caravana Pasa (1903) and Tierras Solares (1904), lucidly interpreting the political, social problems and cultural phenomenon’s of his time. In addition of being the founder of modern poetry in Spanish, Rubén Darío was a singer and teacher of Latin American cultural identity. In 1896, in Buenos Aires, he published his most important work, which consolidates the literary modernity in the Hispanic world: Prosas Profanas y Otros Poemas and Cantos de Vida y Esperanza, 1905, published in Madrid. Rubén Darío started the Modernist Movement influenced by French poetry, the romantic styles, the Parnassianism and symbolism. The same author referred to the Modernism in this way: “não é outra coisa que o verso e a prosa castelhana passada pelo fino crivo do bom verso e da boa prosa francesa”. His style is celebrated all throughout Latin America and his legacy has transcended beyond our continent to becoming reference of Latin American literature of the 20th century.


Lorena Martínez

Ambassador of the Nicaraguan Republic in Brazil


Manoel Wenceslau Leite de Barros, known as Manoel de Barros was born in the Beco da Marinha, in Cuiabá, Mato Grosso, on December 19th 1916, spending his childhood in Mato Grosso do Sul, at first on a farm near Corumbá, then at a boarding school in Campo Grande. When he was twelve years old, he was enrolled in the Colégio São José in Rio de Janeiro, where he became familiar with the classics of Portuguese and French literature. In 1934, he joined a Law school. At that time, he was writing sonnets and studied the work of modernist authors like Raul Bopp, Mario de Andrade and Manuel Bandeira. His first book, Poemas concebidos sem pecado, is from 1937, published by hand with the help of Henrique Valle. In the early 1940s, he returned to Mato Grosso, but not for long. He refused the direction of a notary and returned to Rio de Janeiro, to work as a lawyer. In 1942, he published his second book, Face Imóvel. Between 1943 and 1945, he lived in New York, attending cinema and painting courses at MoMA - Museum of Modern Art in New York. He traveled to several places in South America and Europe. In 1947, he married Stella dos Santos Cruz, with whom he had three children: Pedro, Martha and João. In 1956, he published Poesias and two years later, he returned with his family to Mato Grosso, to run the farm he had inherited from his father. In 1961, he launched Compêndio para uso dos pássaros . The book won the prize Orlando Dantas, from the Diário de Notícias. Following, came Gramática expositiva do chão, 1969, which was also awarded. In 1974, with Matéria de Poesia, his work realized a definitely increased circulation and receptivity, receiving praise and positive reviews from Fausto Wolff, Antônio Houaiss and Millôr Fernandes, among others. In 1982, he released Arranjos para assobio. In 1985, Livro de pré-coisas and, in 1989, the O guardador de águas. All award-winning and critically acclaimed. In the 1990´s, he published Concerto a céu aberto para solos de aves (1991), O livro das ignorãças (1993), Livro sobre nada (1996) and Retrato do artista quando Coisa (1998). His first foray into children’s literature, with Exercícios de ser Criança, was in 1999. In 2000, he published Ensaios Fotográficos and, the following year, Tratado geral das grandezas do ínfimo and the children’s book, O fazedor de amanhecer. At this point, his work had already been translated in various languages, in addition to continuing gaining the most important literary prizes (he received twice the Jabuti award, twice the Nestlé, Academia Brasileira de Letras, APCA, National Library etc.) and tributes. His venture into poetic prose, with Memórias Inventadas: A infância, happens in 2003, the same year he released his third book for children, Cantigas para um passarinho à toa. In 2004, he published Poemas rupestres. In 2006, Memórias inventadas:a segunda infância. In the following year, Poemas em língua de brincar, another book dedicated to his small readers. In 2008, he finished the trilogy with Memórias Inventadas: a Terceira infância. In 2010, he published Menino do Mato, the same year in which his complete work was released in Portugal. In the following year, Escritos em verbal de ave. In 2013, his last poem was published — “A turma”. He passed away on November 13 2014, at 97 years.


Martha Barros

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