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Novo lançamento | Faróis Brasileiros


Sobre os Selos

Esta emissão é composta por 8 selos de faróis brasileiros. Bailique: localizado às margens do Amazonas, orienta embarcações vindas de fora da região e canoas de populações ribeirinhas. Cabo Orange: na mesma região, também orienta embarcações ribeirinhas, porém fica localizado em região inóspita, nas proximidades do Rio Oiapoque. Ilha Rasa: foi o primeiro farol construído após a Independência. Na inauguração o imperador Pedro II embarcou na corveta “Nictheroy”. A intenção era desembarcar, mas condições desfavoráveis não permitiram, então a tripulação presenciou o primeiro acendimento no próprio navio. Moela: é o farol mais antigo de São Paulo, e fica na ilha de Itamirindiba. Abrolhos: além do farol, nesta composição foram destacadas as baleias Jubarte, que fogem do frio da Antártica para se acasalar e ter seus filhotes nas águas baianas. Calcanhar: na representação, dois banhistas observando o farol localizado na praia do Calcanhar. Chuí: foram destacados dois flamingos chilenos, que fazem parte da reserva ecológica do Taim, localizada na mesma região. Santa Marta: próximo a esta região há uma estrutura geológica chamada “Pedra do Campo Bom” ou “Lage do Jaguaruna”. Esta formação impedia que alguns navios se aproximassem da costa da Ilha, onde muitas vezes permaneciam encalhados. A composição traz 3 crianças observando um desses incidentes. A técnica utilizada foi pintura digital.



Faróis Brasileiros

Os Correios, por meio da Filatelia brasileira, emite 8 (oito) selos postais especial de faróis brasileiros, composto por: 2 (dois) faróis da região Norte, 2 (dois) do Nordeste, 2 (dois) do Sul e 2 (dois) do Sudeste.

A mentalidade marítima de um povo pode ser expressa nos faróis de seu país, e a bravura de seus marinheiros inspirada na saga de seus faroleiros. (Ney Dantas)

Em dia distante, envolto na névoa do tempo, o homem se lançou ao mar, por curiosidade, necessidade, ou mero deleite, com espírito de aventura, começando a conhecer seu mundo. Ia e voltava sempre à vista de seu lar, à luz do dia. Sinais em terra, uma árvore, uma pedra, uma elevação conspícua orientavam seu retorno seguro. Continuamente buscando horizontes mais distantes, ele mesmo iniciou a construir sinais de referência, pilhas de pedras ou torres de madeira que permitissem ir mais longe, mas voltar com segurança. Surpreso por um mau tempo, um dia não voltou. Perdido na escuridão imaginou que durante a noite poderia ser orientado por fogueiras acesas sobre seus toscos sinais diurnos. Seus descendentes assim fizeram.

Embarcações maiores e mais seguras o levaram cada vez mais distante, sempre com o auxílio de sinais em terra que ainda seriam chamados faróis.

O grande mar entre terras, o Mediterrâneo, em cujas margens surgiram, floresceram, desenvolveram-se e desapareceram importantes civilizações e povos, foi privilegiado por pujante intercâmbio cultural, comercial, e disputas políticas, que o tornaram palco de muitas rotas marítimas.

À medida que os nautas desses povos se encorajaram, as viagens se alongaram no tempo e no espaço, demandando mais sinais de referência ao longo das margens para segura orientação. Registros documentais, imagens, descrições, inscrições e moedas que hoje se conhecem comprovam a existência desses sinais que guiavam aqueles homens no mar.

Apesar de já existirem há muito tempo, a palavra “farol”, como significado de auxílio à navegação somente surgiu após a construção de um grande sinal náutico em Alexandria, na Ilha de “Pharos”, Egito, em 280 BC. Segundo o geógrafo Edrisi, que o visitou em 1150, sua torre de pedra de 149 m de altura era encimada por uma fogueira que podia ser avistada à 29 Milhas Náuticas (MN). Foi considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Desde então, sinais náuticos construídos em forma de torre e próximos ao mar, passaram a ser designados “Farol” (phare, em francês, faro em espanhol e em italiano, e far em romeno).

Dentre muitos faróis construídos desde então, destaca-se a Torre de Hércules na Espanha, construída pelos romanos no século II e o mais antigo em operação; o Cordouan na França, o primeiro a utilizar uma lente Fresnel e o mais antigo farol da França em operação; o Eddystone na Inglaterra, o primeiro construído em mar aberto; e o Bell Rock na Escócia, o primeiro construído sobre uma formação rochosa que cobre e descobre com a maré.

São poucos os registros históricos conhecidos que comprovem a existência de faróis na costa brasileira no período colonial, à exceção do Farol de Santo Antônio da Barra em Salvador, Bahia, comprovadamente construído em 1698, após o naufrágio do galeão português Sacramento, com a perda de mais de 500 vidas. A abertura dos portos em 1808 com a transferência da Família Real Portuguesa para o Brasil, certamente motivou o incremento dessa fundamental demanda da Segurança da Navegação, sendo o primeiro deles o Farol Barra no Rio Grande do Sul, inaugurado em 1820, e o Farol da Ilha Rasa, o primeiro inaugurado após Proclamação da Independência.

De uma perspectiva mais abrangente, mais do que um auxílio à navegação, os faróis também podem representar parte da memória de uma nação, da cultura de um país, das tradições de um povo, e da evolução arquitetônica de uma época, razões que justificam a sua preservação como patrimônio histórico e cultural a ser legado às gerações futuras.

A representação desses monumentos pela arte filatélica é uma expressiva contribuição para perenizar o registro desse patrimônio, e contribuir para o desenvolvimento da consciência marítima nacional.

O Rasa (1829), em frente à Baia da Guanabara, foi o primeiro inaugurado após a Proclamação da Independência, orientando os navegantes à Capital do Brasil por mais de um século, durante o Império e a República. Sua luz emerge de uma lente Fresnel Meso-Radiante, uma das duas segundas maiores já construídas, que lhe confere alcance luminoso de até 51 MN, ou mais de 94 Km. Nele também funciona um Radiofarol, que transmite informações de DGNSS (Differential Global Navigation Satellite System).

Abrolhos (1861), na Ilha de Santa Bárbara no litoral baiano, guarda o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, que abriga uma extensa cadeia de corais e a maior biodiversidade marinha do Brasil, mas também é o maior cemitério de navios da costa brasileira. Sua lente Fresnel também é Meso-radiante com alcance luminoso de até 51 MN. Dispõe de equipamento respondedor radar (RACON).

Chuí (1910) é o mais austral do território brasileiro, pouco ao norte da foz do Arroio do Chuí, fronteira com o Uruguai. Sua lente Fresnel é de 4ª Ordem e lhe proporciona alcance luminoso de até 46 MN, pouco mais de 85 Km. É também Radiofarol e tem RACON.

Calcanhar (1912) fica na divisa entre as costas norte e nordeste e é o ponto da América do Sul que está mais próximo da África. Sua lente Fresnel de 2ª Ordem permite alcance luminoso de até 38 MN, pouco mais de 70 Km. É também Radiofarol.

O farol mais antigo de São Paulo é Moela (1830) na Ilha de Itamirindiba, assim chamada pelos índios da região, depois Ilha da Moela, batizada pelos portugueses devido à sua forma. Possui uma lente Fresnel de 1ª Ordem que dá aos seus raios luminosos alcance de até 40 MN, pouco mais de 74 Km. Também é um Radiofarol.

Poderoso feixe de luz emerge da lente Fresnel Hiper radiante, uma das 29 maiores lentes desse tipo já construídas, do Farol de Santa Marta (1890) em Santa Catarina, varrendo a superfície do mar e alertando os navegantes da perigosa “Pedra do Campo Bom”, alcançando até 46 MN, pouco mais de 85 Km. Também possui um Radiofarol.

Orange (1997) o mais setentrional do País próximo à foz do Rio Orange, e Bailique (1890) o mais antigo na foz do Braço Norte do Rio Amazonas, ficam no Estado do Amapá. Pela dificuldade de acesso e tipo do terreno onde estão construídos, são constituídos por torres de treliça de aço, revestida no caso do Orange. Possuem lentes Fresnel de XX Ordem, que lhes conferem alcances luminosos de 18 MN, pouco mais de 33 Km, e 14 MN, quase 26km, respectivamente.

Alberto Piovesana Júnior

Oficial de Marinha – Hidrógrafo

Diretoria de Hidrografia e Navegação


Detalhes Técnicos

Edital nº 3

Arte: Gustavo Ramos

Valor facial: R$ 3,00 cada selo

Impressão: Casa da Moeda do Brasil

Processo de Impressão: ofsete

Papel: cuchê gomado

Tiragem: 128.000 selos

Folha com 16 selos

Dimensões da folha: 120 x 267mm

Dimensão do selo: 25 x 59mm

Área de desenho: 25 x 59mm

Picotagem: 12 x 11,5

Data de emissão: 29/05/2023

Locais de lançamento: Macapá/AP, Oiapoque/AP, Caravelas/BA, Rio de Janeiro/RJ, Touros/RN, Santa Vitória do Palmar/RS, Laguna/SC e Guarujá/SP


edital_03_2023_farois
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New Issue | Brazilian Lighthouses


About the Stamps

This issue is composed of 8 postage stamps of Brazilian lighthouses. Bailique: located on the banks of the Amazon river, it guides vessels coming from outside the region and the canoes of riverside populations Cabo Orange: in the same region, it also guides vessels from riverside populations, however it is located in an inhospitable region, near the Oiapoque River. Ilha Rasa: the first lighthouse built after the Brazilian independence. In the inauguration Emperor Pedro II boarded the Corvette “Nictheroy”. The intention was to land, but unfavorable conditions did not allow it, so the crew witnessed the first lighting on the ship itself. Moela: it is the oldest lighthouse in São Paulo, and is on the island of Itamirindiba. Abrolhos: in addition to the lighthouse, in this composition were also highlighted the humpback whales, which swim away from the cold of Antarctica to mate and have their calves in Bahia waters. Calcanhar: in the representation, two bathers observing the lighthouse located on the Calcanhar beach. Chuí: were highlighted here, two Chilean flamingos which are part of the Taim ecological reserve, located in the same region as the lighthouse. Santa Marta: next to this region we have a geological structure called “Pedra do Campo Bom” or “Lage do Jaguaruna”. This formation prevented some ships from approaching the coast of the island, where they often remained stranded. The composition brings 3 children observing one of these incidents. The technique used was digital painting.


Brazilian Lighthouses

Correios, through Brazilian Philately, issues 8 (eight) special postage stamps of Brazilian lighthouses, comprising: 2 (two) lighthouses from the North region, 2 (two) from the Northeast, 2 (two) from the South and 2 (two) from the Southeast.

The maritime mentality of a people can be expressed in the lighthouses of their country, and the bravery of their sailors inspired by the saga of their lighthouse keepers. (Ney Dantas)

On a distant day, shrouded in the fog of time, man threw himself into the sea, out of curiosity, necessity, or mere delight, with a spirit of adventure, beginning to know his world. He came and went in full view of his home, in the light of day. Signs on the ground, a tree, a stone, a conspicuous elevation guided his safe return. Continually seeking further horizons, he himself began to build reference signs, piles of stones or wooden towers that would allow him to go further, but return safely. Surprised by a bad weather, one day, he didn´t return. Lost in the darkness he imagined that during the night he could be guided by fires lit over his crude daytime signals. His descendants did so.

Larger and safer vessels carried him farther and farther, always with the aid of signals on land that, one day, would be called lighthouses.

The great sea between lands, the Mediterranean, on whose shores arose, flourished, developed and disappeared important civilizations and peoples, was privileged by thriving cultural exchange, trade, and political disputes, which made it the scene of many sea routes.

As the sailors of these peoples encouraged each other, the voyages lengthened in time and space, demanding more reference signs along the shores for safe orientation. Documentary records, images, descriptions, inscriptions and coins that are known today prove the existence of these signs that guided those men at sea.

Although they have existed for a long time, the word “lighthouse” as an aid to navigation only emerged after the construction of a large nautical sign in Alexandria, on the island of “Pharos”, Egypt, in 280 BC. According to the geographer Edrisi, who visited it in 1150, its 149 m high stone tower was topped by a bonfire that could be seen at 29 Nautical Miles (NM). It was considered one of the seven wonders of the ancient world. Since then, nautical signs built in the form of a tower and close to the sea, began to be called “Lighthouse” (phare, in French, faro in Spanish and Italian, and far in Romanian).

Among many lighthouses built since then, highlights include The Tower of Hercules in Spain, built by the Romans in the second century and the oldest in operation; the Cordouan in France, the first to use a Fresnel lens and the oldest lighthouse in France in operation; the Eddystone in England, the first built on the open sea; and The Bell Rock in Scotland, the first built on a rock formation that covers and bares with the tide.

There are few known historical records that prove the existence of lighthouses along the Brazilian coast in the colonial period, with the exception of the Santo Antônio da Barra Lighthouse in Salvador, Bahia, demonstrably built in 1698, after the sinking of the Portuguese galleon Sacramento, with the loss of more than 500 lives. The opening of the ports in 1808 with the transfer of the Portuguese royal family to Brazil, certainly motivated the increase of this fundamental demand for the Safety of Navigation, the first of them being the Barra Lighthouse in Rio Grande do Sul, inaugurated in 1820, and the Rasa Island Lighthouse, the first inaugurated after the proclamation of Independence.

From a broader perspective, more than an aid to navigation, lighthouses can also represent part of the memory of a nation, the culture of a country, the traditions of a people, and the architectural evolution of an era, reasons that justify its preservation as a historical and cultural heritage to be a legacy to future generations.

The representation of these monuments by Philatelic art is an expressive contribution to perpetuate the record of this heritage, and contribute to the development of national maritime awareness.

The Rasa (1829), in front of Guanabara Bay, was the first lighthouse lit after the proclamation of Independence, guiding sailors to the Capital of Brazil for more than a century, during the Empire and the Republic. Its light emerges from a Meso-Radial Fresnel lens, one of the second largest ever built, which gives it a Luminous range of up to 51 NM, or more than 94 Km. In it also works a Radio Beacon, which transmits information from DGNSS (Differential Global Navigation Satellite System).

Abrolhos (1861), on the island of Santa Bárbara off the coast of Bahia, guards the Abrolhos National Marine Park, which is home to an extensive chain of corals and the greatest marine biodiversity in Brazil, but is also the largest ship cemetery on the Brazilian coast. Its Fresnel lens is also Meso-Radial with luminous range up to 51 NM. It has radar responder equipment (RACON).

Chuí (1910) is the southernmost of the Brazilian territory, just north of the mouth of the Chuí stream, bordering Uruguay. Its Fresnel lens is of the 4th order and provides it with a luminous range of up to 46 NM, just over 85 Km. It is also Radio Beacon and has RACON.

Calcanhar (1912) lies on the boundary between the North and Northeast coasts and is the point of South America that is closest to Africa. Its 2nd order Fresnel lens allows luminous range up to 38 NM, just over 70 Km. It is also Radio Beacon.

The oldest lighthouse in São Paulo is Moela (1830) on the island of Itamirindiba, so called by the Indigenous people of the region, then Moela Island, baptized by the Portuguese due to its shape. It has a 1st order Fresnel lens that gives its luminous rays a range of up to 40 NM, just over 74 Km. It is also a Radio Beacon.

Powerful beam of light emerges from the hyper-radial Fresnel lens, one of the 29 largest lenses of this type ever built, of the Santa Marta Lighthouse (1890) in Santa Catarina, sweeping the surface of the sea and alerting navigators of the dangerous “Pedra do Campo Bom”, reaching up to 46 NM, just over 85 Km. It also has a Radio Beacon.

Orange (1997) the northernmost in the country near the mouth of the Orange River, and Bailique (1890) the oldest at the mouth of the North Branch of the Amazon River, are in the state of Amapá. Due to the difficulty of access and to the type of terrain where they are built, they are made up of steel truss towers, coated in the case of Orange. They have Modern and small electronic lanterns, which give them luminous ranges of 18 NM, just over 33 Km, and 14 NM, almost 26 km, respectively.

Alberto Piovesana Júnior

Brazilian Navy Officer – Hydrographer

Directorate of Hydrography and Navigation


Technical Details

Stamp issue N. 3

Art: Gustavo Ramos

Facial value: R$ 3.00 each stamp

Printing: Brazilian Mint

Print system: offset

Paper: gummed chalky paper

Issue: 128,000 stamps

Sheet with 16 stamps

Sheet dimensions: 120 x 267mm

Stamp dimensions: 25 x 59mm

Design area: 25 x 59mm

Perforation: 12 x 11.5

Date of issue: May 29th, 2023

Places of issue: Macapá/AP, Oiapoque/AP, Caravelas/BA, Rio de Janeiro/RJ, Touros/RN, Santa Vitória do Palmar/RS, Laguna/SC and Guarujá/SP

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