Lançamento | Mulheres Brasileiras que Fizeram História Aracy de Carvalho Guimarães Rosa


Sobre os Selos

Essa emissão é composta por seis selos, celebrando seis Mulheres que fizeram e fazem história. A sexta homenageada é a mulher que arriscou a própria vida para salvar outras, a heroína Aracy de Carvalho Guimarães Rosa. A imagem é uma foto que foi tirada entre 1939 e 1945. O elo desta emissão é o símbolo da mulher, que consta em todos os selos. A folha com borda na cor magenta, é composta por 18 selos, tendo o título da emissão no canto superior esquerdo e no canto superior direto desenhos estilizados de corações e uma capa de passaporte. Foram usadas as técnicas de fotografia e computação gráfica.



Mulheres que Fizeram História - Aracy de Carvalho Guimarães Rosa

Os selos postais, desde o seu surgimento, em 1840, na Inglaterra, iniciaram a grandiosa missão de propagar a história universal e de comunicar os grandes e abnegados feitos daqueles que se dedicaram à construção de valorosas obras em vários contextos socioculturais. Assim, o primeiro selo postal do mundo, o penny black, exibia a efígie da Rainha Vitória, perpetuando o perfil de uma soberana inglesa, reconhecida por sua coragem e determinação frente aos desafios de sua época. Daí compreendermos que o selo já nasceu predestinado a marcar com nobreza os fatos por ele assinalados.

São inúmeros os selos postais brasileiros dedicados às mulheres e suas obras. É gratificante verificar o quão nobre tem sido a presença da mulher na Filatelia, destacando a sua função em vários contextos, mostrando que

as mulheres estão cada vez mais conscientes dos papéis que desempenham na sociedade. É, portanto, compreensível e justo que mulheres valorosas tenham as suas contribuições e os seus valores perpetuados em selos

postais, que são os mensageiros da paz universal.

Os selos postais chegaram ao século 21 comunicando personalidades, obras e aspectos artísticos, históricos, sociais, ambientais e desportivos, que o Brasil e o mundo precisam reverenciar. Nesse contexto, as mulheres têm desempenhado um papel cada vez mais importante na sociedade, vencendo lutas de vários significados, buscando assegurar seus direitos frente a uma vida digna, segura e pautada no respeito à liberdade, à igualdade e defesa de seus ideais.

Mais uma vez, a filatelia brasileira tem a honra de emitir selos sobre mulheres. Agora será a vez de Mulheres que Fizeram História, destacando seis personalidades vencedoras em suas vidas. São elas: Elza Soares, Hortência Marcari, Hebe Camargo, Carolina Maria de Jesus, Maria da Penha e Aracy de Carvalho Guimarães Rosa. As mulheres merecem essa honraria, que também dignifica e enriquece a Filatelia brasileira. Esses selos representam o reconhecimento do Brasil e do mundo à história de vida, de trabalho e de força que as motivaram em suas jornadas.

E no sexto e último selo da série, chegamos à história da mulher que arriscou a própria vida para salvar outras, a heroína Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, (Rio Negro/PR, 20 de abril de 1908 — São Paulo/SP, 03 de março de 2011).

Por meio deste selo, a Filatelia conta a história do “Anjo de Hamburgo”, como Aracy ficou conhecida e marcada pela luta em defesa da vida, representando exemplo de coragem e amor ao próximo. Aracy era filha de pai brasileiro e mãe alemã. Ainda criança, mudou-se com os pais do Paraná para São Paulo casando-se em 1927 com o alemão Johann Eduard Ludwig Tess, de quem se separou cinco anos depois.

Corajosa, voltou os olhos para uma Alemanha que vivia o apogeu das ideologias que sustentavam o movimento totalitário comandado por Adolf Hitler. Mudou-se para a Alemanha com o filho Eduardo Carvalho Tess, de apenas cinco anos de idade, não hesitando ante as privações que teve de encarar para iniciar uma nova vida em um país com cenário político, sociocultural e econômico afetado pela intolerância e pelo ódio que o nazismo disseminava, oprimindo e matando os judeus sob o seu jugo. Em meio a esse ambiente, no qual se instalaram o medo e o pânico, Aracy provou que ali poderia dar uma grande prova de amor à vida, pela paz.

Em 1936 encontrou trabalho no Itamaraty, assumindo a chefia da Seção de Passaportes do Consulado brasileiro em Hamburgo. Em sua jornada no Consulado, mesmo sabendo que o Governo de Getúlio Vargas havia restringido a entrada de judeus no Brasil, por meio da Circular Secreta 1.127, Aracy ignorou esse documento e continuou a emitir os vistos para os judeus, possibilitando a entrada destes em nosso País.

Aproveitando-se do fato de despachar pessoalmente com o cônsul-geral, Aracy colocava a papelada dos vistos em sua mesa, para assinatura, sem identificar com a letra “J” os documentos dos judeus requerentes dos vistos de saída do país. Assim, ajudou incontáveis famílias judias a escapar dos campos de concentração de Adolf Hitler. Essa foi uma clara ação de resistência de Aracy, pois sabemos que o Holocausto representou o extermínio em massa de cerca de seis milhões de judeus nos campos de concentração. Entre eles, não estão os judeus que essa mulher, de grande coração e coragem, encaminhou para as terras brasileiras.

Aracy fortaleceu a sua missão de salvar do holocausto aqueles que ela pode retirar do ambiente nazista, mesmo arriscando sua própria vida. Ela achava injusta a perseguição contra os judeus. Presenciou atrocidades e acontecimentos daquele período, com a sensação de estar em um grande campo de batalha, empunhando a única arma que conhecia, e que, diariamente, disparava de seu grande coração: o amor ao próximo e aos ideais de paz. Era o anjo certo no lugar certo.

Mulher bonita e de caráter marcante, em 1938, Aracy conheceu João Guimarães Rosa, um dos maiores escritores brasileiros, que acabara de ser transferido para Hamburgo. Mesmo sabendo das transgressões de Aracy na Seção de Passaportes, Guimarães Rosa a apoiou nessa prática, que também considerava justa, porém perigosa. Esse fato explica a paixão que surgiu entre os dois, tornando-os cúmplices em tão nobre empreitada. Uniram-se ainda na Alemanha, quando Guimarães Rosa era Cônsul-Adjunto. O casal permaneceu naquele país até 1942, quando o Brasil rompeu relações Diplomáticas com a Alemanha, passando a apoiar os aliados da Segunda Guerra Mundial. A união de Aracy e Guimarães Rosa foi oficializada na Embaixada do México, em 1947, no Rio de Janeiro.

Nosso escritor dedicou sua obra “Grande Sertão: Veredas”, publicado em 1956, à companheira, justamente por seus princípios e valores. Aracy foi sepultada no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, ao lado de seu marido, no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.

Por sua coragem, determinação e ideais voltados à missão de defender a vida dos oprimidos e vulneráveis em meio a ambientes marcados por guerras e violência, Aracy de Carvalho Guimarães Rosa merece o reconhecimento de seu País e das Nações que a homenagearam. Além de ser considerada, pelo Governo de Israel, “Justa entre as Nações”, também recebeu honrarias do Museu do Holocausto de Washington e de Jerusalém.

Este selo postal tem a função de contar a História de Aracy, que foi pautada pelos riscos em suas decisões com o objetivo de salvar vidas, justamente por ignorar as ideologias de intolerância, de injustiça e de crueldade que marcaram aquela época. Porém, como muitos indivíduos que fizeram resistência e agiram para mudar a conjuntura do período, o Anjo Aracy lá esteve presente.

Maria de Lourdes Torres de Almeida Fonseca

Escritora, Cadeira 35 da Academia de Letras e Música do Brasil – ALMUB


Detalhes Técnicos

Edital nº 32

Foto: Acervo de família

Arte-finalização: Jamile Costa Sallum e Daniel Eff/Correios

Processo de Impressão: ofsete

Papel: cuchê gomado

Folha com 18 selos

Valor facial: 1º Porte Carta Comercial

Tiragem: 54.000 selos

Área de desenho: 21 x 39mm

Dimensão do selo: 26 x 44mm

Picotagem: 11,5 x 11

Data de emissão: 4/12/2019

Locais de lançamento: Brasília/DF, Curitiba/PR e São Paulo/SP

Impressão: Casa da Moeda do Brasil



Special Postal Issue Women Who Made History - Aracy de Carvalho Guimarães Rosa


About the Stamps

This issue consists of six stamps, celebrating six Women who made and make history. The sixth to be honored is the woman who risked her own life to save others, the heroine Aracy de Carvalho Guimarães Rosa. The image is a photo that was taken between 1939 and 1945. The link of this issue is the symbol of the woman, which appears on all stamps. The leaf with a magenta border is composed of 18 stamps, with the title of the issue in the upper left corner and in the upper right corner stylized drawings of hearts and a passport cover. Photography and computer graphics techniques were used.


Women Who Made History - Aracy de Carvalho Guimarães Rosa

Since its establishment in 1840 in England, postage stamps have begun the great mission of propagating universal history and of communicating the great and selfless achievements of those who have devoted themselves to the construction of valuable works in various sociocultural contexts. Thus, the world’s first postage stamp, the penny black, displayed the effigy of Queen Victoria, perpetuating the profile of an English sovereign, renowned for her courage and determination in the face of the challenges of her day. Hence, we understand that the stamp was born predestined to mark with noblesse the facts that it pointed out.

There are innumerable Brazilian stamps dedicated to women and their works. It is gratifying to see how noble the presence of women in Philately has been, highlighting their role in various contexts, showing that women are increasingly aware of the roles they play in society. It is therefore just that valiant women should have their contributions and their values perpetuated in postage stamps.

Postage stamps arrived in the 21st century, communicating personalities, works and artistic, historical, social, environmental and sporting aspects that Brazil and the world need to revere. In this context, women have played an increasingly important role in society, overcoming struggles of various meanings, seeking to ensure their rights to a dignified and safe life based on respect for freedom, equality and defense of their ideals.

One more time, Brazilian Philately has a great honor to issue postage stamps about women. At this time, “History-maker Women”, an issue that highlights six personalities well succeeded in their lives. They are: Elza Soares, Hortência Marcari, Hebe Camargo, Carolina Maria de Jesus, Maria da Penha and Aracy de Carvalho Guimarães Rosa. Women deserve this honor, which also dignifies and enriches Brazilian Philately. These stamps represent the recognition of Brazil and the world to the history of life, work and strength that motivated their journeys.

And in the sixth and last postage stamp of the series, we come to the story of the woman who risked her life to save others, the heroine Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, (Rio Negro/PR, April 20, 1908 - São Paulo/ SP, March 3, 2011).

Through this postage stamp, Philately tells the story of the “Angel of Hamburg”, who guides the struggle in defense of life, representing an example of courage and love for others. Aracy was the daughter of a Brazilian father and a German mother. As a child she moved with her parents from Parana to Sao Paulo, and in 1927 she married the German Johann Eduard Ludwig Tess, of whom she separated five years later.

Brave, she turned her eyes to a Germany that was at the height of the ideologies that supported the totalitarian movement led by Adolf Hitler. She moved to Germany with her five-year-old son Eduardo Carvalho Tess, in the face of the deprivations she had to face to start a new life in a country with a political, socio-cultural and economic background affected by the intolerance and hatred that Nazism spread, oppressing and killing the Jews under its yoke. In the midst of this environment, where fear and panic set in, Aracy proved that there she could give a great proof of love for life, for peace.

In 1936, she began working at Itamaraty, taking over the Passport Section of the Brazilian Consulate in Hamburg. While on her journey at the Consulate, despite knowing that the Government of Getúlio Vargas had restricted the entry of Jews to Brazil, through Secret Circular 1,127, Aracy ignored this document and continued issuing visas to the Jews, allowing them to enter our country.

Taking advantage of the fact that he personally dispatched with the consul general, Aracy placed the visa-related documents on her desk for signature, without identifying with the letter “J” the documents of the Jews applying for visas leaving the country. Thus she helped countless Jewish families to escape from Adolf Hitler’s concentration camps. This was a clear act of resistance by Aracy, as we know that the Holocaust represented the mass extermination of about six million Jews in the concentration camps. Among them are not the Jews that this woman, with great heart and courage, sent to Brazilian lands.

Aracy has strengthened her mission to save from the holocaust those she can remove from the Nazi environment, even risking her own life. She found the persecution against the Jews unfair. She witnessed atrocities and events of that period, with the sensation of being on a large battlefield, holding the only weapon she knew, and shooting daily from her great heart: the love of neighbor and the ideals of peace. She was the right angel in the right place.

A beautiful and remarkable woman, in 1938, Aracy met João Guimarães Rosa, one of the greatest Brazilian writers, who had been transferred to Hamburg. Despite knowing Aracy’s transgressions in the Passport Section, Guimarães Rosa supported her in this practice, which he also considered fair but dangerous. This fact makes understandable the passion that arose between the two, making them accomplices in such a noble endeavor. They united in Germany when Guimarães Rosa was Consul Assistant. The couple remained in that country until 1942, when Brazil broke off diplomatic relations with Germany, supporting the allies of World War II. The union of Aracy and Guimarães Rosa was made official at the Mexican Embassy in 1947 in Rio de Janeiro.

Our writer dedicated his work “Grande Sertão: Veredas”, published in 1956, to his companion, precisely for her principles and values. Aracy was buried at the Mausoleum of the Brazilian Academy of Letters, beside her husband, at the São João Batista Cemetery, in Rio de Janeiro.

For her courage, determination and ideals aimed at defending the lives of the oppressed and vulnerable in environments marked by wars and violence, Aracy de Carvalho Guimarães Rosa deserves the recognition of her country and the nations that honored her. In addition to being considered by the Government of Israel to be “Righteous Among the Nations”, she has also received honors from the Washington and Jerusalem Holocaust Museum.

This postage stamp has the function of telling the story of Aracy, who was guided by the risks in his decisions in order to save lives, precisely because he ignored the ideologies of intolerance, injustice and cruelty that marked that time. However, like many individuals who made resistance and acted to change the situation of the period, Angel Aracy was there.

Maria de Lourdes Torres de Almeida Fonseca

Writer, Chair 35 of the Academy of Letters and Music of Brazil- ALMUB


Technical Details

Stamp issue N. 32

Photo: Family collection

Art finishing: Jamile Costa Sallum and Daniel Eff/Correios

Print system: offset

Paper: gummed chalky paper

Sheet with 18 stamps

Facial value: 1st class rate for domestic commercial mail

Issue: 54,000 stamps

Design area: 21 x 39mm

Stamp dimensions: 26 x 44mm

Perforation: 11.5 x 11

Date of issue: December 4th, 2019

Places of issue: Brasília/DF, Curitiba/PR and São Paulo/SP

Printing: Brazilian Mint





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