Lançamento | Carimbos do Império


Sobre o Bloco

Nessa homenagem aos amantes da História e da Marcofilia, reapresentamos um modelo de bloco inspirado nas antigas Folhinhas e alguns blocos emitidos nas décadas de 60 e 70, no século passado: o bloco sem picote. O tema “Carimbos do Império” busca na história da filatelia registros ainda anteriores ao uso do selo e passa pelo período em que a reforma postal de 1843 entrou em vigor. A concepção da peça partiu de simular cartas da época, usando selos do Império e a marca de porte escrito à mão com destaque dos recursos de impressão, o verniz, e gráfico, as microletras. Foram usadas técnicas de fotografia, fotomontagem e computação gráfica.


Carimbos do Império

A função primordial dos carimbos postais desde os mais antigos sistemas de correio era a de identificar a origem das correspondências. A certidão de nascimento do carimbo postal no Brasil foi o Art. 17º do Alvará de criação dos Correios Marítimos (1798), que determinava que “(...) as cartas serão marcadas com o nome da terra em cujo Correio forem lançadas (...). Neste período inicial dos correios, além do carimbo de origem, as cartas traziam em sua face principal o valor relativo aos serviços postais, que era assinalado pelo administrador da agência de origem, e que deveria ser pago pelo destinatário no momento da entrega da correspondência. Somente com a reforma postal de 1842 este sistema se modificou, passando o remetente a arcar com os custos relativos ao transporte da correspondência - princípio que se mantém na atualidade -, por meio do uso de um selo postal adesivo como comprovante do pagamento antecipado das taxas postais. O novo sistema vigorou oficialmente a partir de 1º de agosto de 1843, com o lançamento da primeira série de selos postais brasileiros, os “Olhos de Boi”. A coleção de carimbos utilizados pelas diversas agências postais brasileiras ao longo do período imperial, pertencentes ao Museu Correios, pode ser considerada uma das principais referências sobre a história postal no Brasil, formada por cerca de 400 peças, dentre as quais três exemplares de carimbos que foram selecionados para compor a presente emissão. O primeiro foi utilizado na agência postal da cidade do Desterro, então capital da Província de Santa Catarina, a partir do ano de 1823. A cidade teve seu nome modificado em 1894 para Florianópolis, em homenagem ao então Presidente da República, o marechal Floriano Peixoto. Apelidado de “Marechal de Ferro”, Floriano havia atuado com extrema força para reprimir a Revolução Federalista que ocorrera na cidade do Desterro, determinando o fuzilamento de alguns dos principais revoltosos. Este é um dos mais antigos exemplares da coleção, utilizado ainda no período conhecido por “pré-filatélico”, ou seja, aquele anterior a entrada em vigor da reforma postal que alterou o sistema de cobrança das cartas (1843). O segundo exemplar faz parte do conjunto dos carimbos conhecidos pelos filatelistas como “mudos”, pois que não apresentam informação sobre a agência de origem ou mesmo a data de expedição. Apesar de comuns em diversas administrações postais pelo mundo, os carimbos “mudos” utilizados pelos Correios no Brasil ao longo do período imperial formam um relevante conjunto, sendo conhecidos atualmente mais de 1.000 diferentes exemplares. Em grande parte, as agências postais usavam modelos de fabricação artesanal, provavelmente pelo fato de que a distribuição de carimbos por todas as agências do país fosse tarefa bastante custosa. Segundo tradição entre colecionadores de selos e estudiosos da história postal brasileira, tais carimbos eram feitos de madeira ou de cortiça, que nada mais eram que rolhas de garrafas de vinho reaproveitadas. Entretanto, o exemplar da coleção do Museu Correios é feito de bronze, sem identificação do fabricante. O terceiro reporta ao período em que o Correio no Brasil buscou como referência o modelo da administração postal do Reino Unido, no início da década de 1840. O carimbo selecionado foi encomendado à fabricante inglesa “D. C. Birri”, de Londres, cujo modelo era normalmente empregado nas administrações britânicas. A peça apresenta uma curiosidade, que a destaca das demais do conjunto, pois que é composta de duas partes; à esquerda, carimbo circular com a indicação da data e da agência de origem (Rio de Janeiro), e à direita a parte destinada à obliteração/inutilização do selo. Muitos outros exemplares da coleção de carimbos postais do Museu Correios poderiam ser aqui destacados, tendo em vista a abrangência do acervo. Para os filatelistas, trata-se de uma fonte inesgotável de informação, especialmente aos dedicados à marcofilia. Aqui vale lembrar um trecho do artigo pioneiro escrito pelo pesquisador e filatelista José Kloke em 1929, no Boletim da Sociedade Filatélica Paulista, intitulado “A utilidade dos estudos dos carimbos”: “O carimbo é capaz de nos fornecer, às vezes, preciosos esclarecimentos nos estudos dos selos – e resolver questões, cuja solução de outra maneira seria impossível”.

Cícero Antônio Fonseca de Almeida

Museólogo, Mestre em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO, e doutorando em História, Política e Bens Culturais pela Fundação Getúlio Vargas. Professor do Departamento de Estudos e Processos Museológicos da UNIRIO e do MBA em Gestão de Museus da Associação Brasileira de Gestão Cultural/Universidade Candido Mendes. Autor dos livros “Carimbos Postais/Século XIX. Um estudo da coleção de matrizes do Museu Postal e Telegráfico” (1989) e “Selos Postais do Brasil” (2003).


Detalhes Técnicos

Edital nº 16

Bloco

Arte: Daniel Effi/Correios

Processo de Impressão: ofsete + verniz localizado

Papel: cuchê gomado

Valor facial: R$ 8,00

Tiragem: 20.000 blocos

Área de desenho: 70 x 100mm

Dimensão do bloco: 70 x 100mm

Picotagem: não tem

Data de emissão: 1º/8/2019

Locais de lançamento: Belo

Horizonte/MG, Curitiba/PR e São Paulo/SP

Impressão: Casa da Moeda do Brasil


About the Souvenir Sheet

In this tribute to History and Marcophily lovers, we reintroduce a model of souvenir sheet inspired in old Folhinhas (small sheets) and some souvenir sheets issued in the 60’s and 70’s decades of the last century: a souvenir sheet with no perforation. The motive “Brazilian Empire’s Postmarks” brings facts from the period prior to the postage stamps passing by the postal reform, that took effect in 1843. The concept came from the representation of old letters, using postage stamps from the Empire and the handwritten fee mark. The postmarks are highlighted with spot varnish and identified by micro letters. The techniques of photography, photo manipulation and computer graphics were used.


Brazilian Empire’s Postmarks

As its primary function, postmarks from the earliest mail systems have to identify the origin of a mail. The birth certificate of the postmark in Brazil was Article 17th of the Maritime Posting Permit (1798), which stated that “(...) the letters shall be marked with the name of the land to which the Post Office is posted (...)”. In this initial period of the mailing, beside the postmark of origin, the letters had on their main face the value related to postal services, which was indicated by the origin agency administrator, and which should be paid by the recipient at the time of the mail delivery. Only with the 1842 postal reform this system changed, making the sender to bear the costs related to the transportation of correspondence - a principle that remains currently - through the use of an adhesive postage stamp as proof of the advance payment of postal fees. . The new system was officially effective from August 1st, 1843, with the release of the first series of Brazilian postage stamps, the “Bull’s Eyes”. The collection of stamps used by several Brazilian postal agencies throughout the imperial period, belonging to the Correios Museum, can be considered one of the main references on postal history in Brazil, consisting of about 400 pieces, three of which stamps were selected to compose the present issue. The first was used in the post office of the city of Desterro, then capital of the Province of Santa Catarina, from 1823. The city was changed in 1894 to Florianópolis, in honor of the then President of the Republic, Marshal Floriano Peixoto. Nicknamed the “Iron Marshal”, Floriano had acted with extreme force to suppress the Federalist Revolution that had taken place in the city of Desterro, leading to the shooting of some of the leading insurgents. This is one of the oldest pieces of the collection, used in the period known as “pre-philatelic”, ie the one prior to the postal reform that altered the letters fee system (1843). The second piece is part of the set of stamps known by philatelists as “mute cancel”, since they do not present information about the agency of origin or even the date of dispatch. Although common in many postal administrations around the world, the “mute” stamps marks used by the Post Office in Brazil throughout the imperial period form a relevant set, with over 1,000 different pieces currently known. For the most part, post offices used handcrafted models, probably because distributing stamps marks to all agencies across the country was a very costly task. According to tradition among stamp collectors and scholars of Brazilian postal history, such stamp marks were made of wood or cork, which were nothing more than reused wine bottle corks. However, the piece of the Correios Museum collection is made of bronze, without the manufacturer’s identification. The third is related to the period in which Brazil took the United Kingdom postal administration model as a reference in the early 1840s. The stamp selected was ordered from the English manufacturer “D. C. Birri” of London, which model was normally employed in the British administrations. The piece has a curiosity that highlights it from the rest of the set, as it is made up of two parts; on the left, a circular mark indicating the date and the origin agency (Rio de Janeiro), and on the right, the part intended to obliterate / render the postage stamp unusable. Many other pieces of the Correios Museum’s postmark collection could be highlighted here, given the extension of the collection. For philatelists, this is an inexhaustible source of information, especially those dedicated to marcophily. Here is an excerpt from the pioneering article written by researcher and philatelist José Kloke in 1929, in the Paulista Philatelic Society Bulletin, entitled “The usefulness of postmark studies”: Postmarks can provide us, sometimes, valuable clarifications over the postage stamps studies - and solving questions, the solution of which would otherwise be impossible. ”

Cícero Antônio Fonseca de Almeida

Museologist, Master in Social Memory from the Federal University of the State of Rio de Janeiro - UNIRIO, and PhD student in History, Politics and Cultural Property from the Getúlio Vargas Foundation. Professor at the Department of Studies and Museum Processes at UNIRIO and the MBA in Museum Management at the Brazilian Association of Cultural Management / Candido Mendes University. Author of the books “Carimbos Postais/Século XIX. Um estudo da coleção de matrizes do Museu Postal e Telegráfico” (1989) and “Selos Postais do Brasil” (2003).


Technical Details

Stamp issue N. 16

Souvenir sheet

Art: Daniel Effi/Correios Brasil

Print system: offset + spot varnish

Paper: gummed chalky paper

Facial value: R$ 8.00

Issue: 20,000 souvenir sheets

Design area: 70 x 100mm

Souvenir sheet dimension: 70 x 100mm

Perforation: none

Date of issue: August 1st , 2019

Places of issue: Belo Horizonte/MG, Curitiba/PR and São Paulo/SP

Printing: Brazilian Mint





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