Lançamento | Bicentenário do Manifesto Paulista


Sobre o Selo

A arte desse selo comemorativo apresenta imagens de parte da edificação e do pátio interno do CPOR/CMSP, denominado Pátio Patriarca da Independência, e do busto da Escultura denominada “A Entrega do Manifesto Paulista”, de autoria do artista plástico Claudio Antonio Callia, concebida e produzida no corrente ano. Na parte superior esquerda está também a assinatura de José Bonifácio, um dos protagonistas do manifesto. Foram utilizadas técnicas de computação gráfica.

Bicentenário do Manifesto Paulista Em 9 de dezembro de 1821, chegaram ao Rio de Janeiro os textos dos últimos atos das Cortes Constituintes, que criavam governos provinciais anárquicos e independentes, mas sujeitos a Portugal, determinando o regresso de D. Pedro, o quanto antes, para uma viagem aos reinos de Espanha, França e Inglaterra. Nada mais poderia manter a ilusão da continuidade do sistema de reino unido. As Cortes pretendiam anular a obra de D. João VI, fazendo de cada província brasileira uma província de Portugal. O Príncipe Regente chegou a rascunhar um manifesto de despedida aos brasileiros. Entretanto, já estava em curso uma ativa campanha, do clube da resistência, na casa de José Joaquim da Rocha. Diante disso, o Príncipe foi mudando de atitude. Nas províncias, particularmente em São Paulo e Minas Gerais, os atos recolonizadores produziam reação idêntica à do Rio de Janeiro. Começaram a receber assinaturas para uma representação em que se pedia ao Príncipe que ficasse no Brasil. Para José Bonifácio, chegara a hora das grandes decisões e de uma ação enérgica para que o Brasil não se esfacelasse. Na madrugada de 23 para 24 de dezembro de 1821, em meio à chuva torrencial, Pedro Dias Pais Leme chega à antiga sede da Fazenda Santana, à época, residência de José Bonifácio de Andrada e Silva e de seu irmão, o Conselheiro Martim Francisco, onde, atualmente, situa-se o aquartelamento do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva e Colégio Militar de São Paulo (CPOR/CMSP), trazendo-lhes carta de José Joaquim da Rocha, em que os patriotas do Rio de Janeiro os chamam para a luta. José Bonifácio de Andrada e Silva, Vice-Presidente da Província de São Paulo, mostra à Pais Leme a chamada Carta do Governo de São Paulo, também conhecida como Representação Paulista, Deputação Paulista ou Manifesto Paulista, endereçada ao Príncipe Regente, que acabara de escrever, reforçando a necessidade da permanência de D. Pedro I no Brasil.

Sobre a carta, disse Octávio Tarquínio de Sousa: “Se o tom é de violência, justificavam-na sua indignação e sua revolta, e era necessária para que D. Pedro sentisse claramente a disposição em que estavam os brasileiros de não mais se deixar dominar por Portugal.” Seu pedido ao Príncipe era quase uma ameaça: “É impossível que os habitantes do Brasil que forem honrados e se prezarem de ser homens, e mormente os paulistas, possam jamais consentir em tais absurdos e despotismos. V. A. Real deve ficar no Brasil quaisquer que sejam os projetos das Cortes Constituintes não só para nosso bem geral, mas até para a independência e prosperidade futura do mesmo Portugal. Se V. A. Real estiver (o que não é crível) pelo deslumbrado e indecoroso decreto de 19 de setembro, além de perder para o mundo a dignidade de homem e de príncipe, tornando-se escravo de um pequeno número de desorganizadores, terá também que responder, perante o céu, do rio de sangue que decerto vai correr pelo Brasil com sua ausência”. Esse manifesto é assinado pelo Presidente do Governo de São Paulo, João Carlos Augusto Oeynhausen, por José Bonifácio, por Manuel Rodrigues Jordão e aprovado, na sessão solene do dia 24 de dezembro de 1821, por todos os membros do Governo de São Paulo.

Segundo Pedro Pereira da Silva Costa, Pais Leme, que viera pedir apoio aos paulistas, encontra em São Paulo outro movimento, mais forte e decidido. O Manifesto Paulista chegou às mãos do Príncipe no Rio de Janeiro a 1º de janeiro de 1822. Foi divulgado, imediatamente por D. Pedro, e mandado imprimir na Gazeta do Rio, em 8 de janeiro. Em carta ao pai, de 2 de janeiro de 1822, D. Pedro escreveu: “Farei todas as diligências por bem para haver sossego, e para ver se posso cumprir os decretos 124 e 125, o que me parece impossível, porque a opinião é toda contra, em toda a parte”. Esse fato foi preponderante para a permanência de D. Pedro I no Brasil, que culminou com o episódio do Dia do Fico, em 9 de janeiro de 1822. José Bonifácio chegou ao Rio de Janeiro em 17 de janeiro, sendo nomeado, aos 60 anos de idade, seu Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino, primeiro brasileiro a ocupar um cargo semelhante, vindo a contribuir significativamente para a Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822. Fruto desse acontecimento, com a Portaria n° 279, de 17 de maio de 2004, o Comandante do Exército Brasileiro concedeu ao Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo (CPOR/SP), situado no Bairro de Santana, na capital paulista, a denominação histórica “CENTRO SOLAR DOS ANDRADAS”. Assim, nada mais justa e reconhecida a homenagem a José Bonifácio de Andrada e Silva, o fundador do Brasil-Nação e Patriarca da Independência, pelo Bicentenário do Manifesto Paulista. Centro de Preparação de Oficiais da Reserva e Colégio Militar de São Paulo (CPOR/CMSP)


Detalhes Técnicos

Edital nº 12

Escultura: Claudio A. Callia

Arte-final: Seção de Comunicação Social do CPOR/CMSP, com orientações do Artista Plástico Claudio A. Callia

Processo de Impressão: ofsete

Papel: cuchê gomado

Folha com 12 selos

Valor facial: 1º Porte da Carta

Tiragem: 144.000 selos

Área de desenho: 39 x 21mm

Dimensão do selo: 44 x 26mm

Picotagem: 11 x 11,5

Data de emissão: 8/9/2021

Local de lançamento: São Paulo/SP

Impressão: Casa da Moeda do Brasil


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Commemorative Postal Issue | Bicentennial of the Manifesto Paulista


About the Stamp The art of this commemorative stamp features images of part of the building and the internal courtyard of CPOR/CMSP, called “Patriarch Courtyard of Independence”, and the bust of the Sculpture called “The Delivery of the Manifesto Paulista”, by the artist Claudio Antonio Callia, conceived and produced in the current year. In the upper left is also the signature of José Bonifácio, one of the protagonists of the manifesto. Computer graphics techniques were used.


Bicentennial of the Manifesto Paulista On December 9, 1821, the texts of the last acts of the Constituent Courts arrived in Rio de Janeiro, which created anarchic and independent provincial governments, but subject to Portugal, determining the return of D. Pedro, as soon as possible, for a trip to the kingdoms of Spain, France and England. Nothing else could maintain the illusion of the continuity of the unified kingdom system. The Courts intended to annul the work of D. João VI, making each Brazilian province a Portuguese province. The Prince Regent even drafted a farewell manifesto to the Brazilians. However, an active campaign was already underway, led by the resistance club, in the home of José Joaquim da Rocha. Faced with this, the Prince changed his attitude. In the provinces, particularly in São Paulo and Minas Gerais, the recolonizing acts produced an identical reaction to the one in Rio de Janeiro. They started to collect signatures for a representation which the Prince was asked to remain in Brazil.

For José Bonifácio, the time has come for big decisions and energetic action so that Brazil would not fall apart. At dawn of December 24, 1821, amid torrential rain, Pedro Dias Pais Leme arrived at the former head office of Fazenda Santana, at that time the residence of José Bonifácio de Andrada e Silva and his brother, Councilor Martim Francisco, where the barracks of the São Paulo Military College and Reserve Officers Preparation Center (CPOR/CMSP) are currently located, bringing them a letter from José Joaquim da Rocha, in which the patriots of Rio de Janeiro called them to the fight. José Bonifácio de Andrada e Silva, Vice President of the Province of São Paulo, showed Pais Leme the just written so called Letter from the Government of São Paulo, also known as Representação Paulista, Deputação Paulista or Manifesto Paulista, addressed to the Prince Regent, reinforcing the need for D. Pedro I to remain in Brazil. Regarding the letter, Octávio Tarquínio de Sousa said: “If the tone is one of violence, it was justified by his indignation and his revolt, and it was necessary for D. Pedro to clearly feel the disposition in which Brazilians were no longer allowed to be dominated by Portugal.” His request to the Prince was almost a threat: “It is impossible that the inhabitants of Brazil who are honorable and pride themselves on being men, and especially those from São Paulo, can ever consent to such absurdities and despotisms. Your highness must stay in Brazil whatever the projects of the Constituent Courts may be. Not only for our general good, but even for the independence and future prosperity of Portugal itself. If Your Highness stand by (which is not believable) the dazzled and indecorous decree of September 19, besides losing before world the dignity of man and prince, becoming the slave of a small number of disorganizers, will also have to answer, before heaven, for the river of blood that will surely flow through Brazil in his absence.” This Manifesto is signed by the President of the Government of São Paulo, João Carlos Augusto Oeynhausen, by José Bonifácio, by Manuel Rodrigues Jordão and approved, at the solemn session of December 24, 1821, by all the members of the Government of São Paulo. According to Pedro Pereira da Silva Costa, Pais Leme, who had come to ask for support from São Paulo, finds another movement in São Paulo, stronger and more decisive. The Manifesto Paulista reached the Prince’s hands in Rio de Janeiro on January 1, 1822. It was immediately disclosed by D. Pedro and ordered to be printed in Gazeta do Rio, on January 8th. In a letter to his father, dated January 2, 1822, D. Pedro wrote: “I will make every effort for the sake of peace, and to see if I can comply with decrees 124 and 125, which seems impossible to me, because the opinion is fully against, everywhere”. This fact was preponderant for the permanence of D. Pedro I in Brazil, which culminated in the episode of Dia do Fico, on January 9, 1822. José Bonifácio arrived in Rio de Janeiro on January 17, being nominated at the age of 60, his Minister and Secretary of State for the Affairs of the Kingdom, the first Brazilian to occupy a similar position, contributing significantly to the Independence of Brazil, on September 7, 1822. As a result of this event, with Ordinance No. 279, of May 17, 2004, the Commander of the Brazilian Army granted it to the São Paulo Reserve Officers Preparation Center (CPOR/SP), located in Bairro de Santana, in the capital of São Paulo, the historical name “CENTRO SOLAR DOS ANDRADAS”. Therefore, nothing more than fair and recognized such tribute to José Bonifácio de Andrada e Silva, the founder of Brazil-Nation and Patriarch of Independence, for the Bicentennial of the Manifesto Paulista. Reserve Officer Preparation Center and São Paulo Military College (CPOR/CMSP)


Technical Details

Stamp issue N. 12

Sculpture: Claudio A. Callia

Art finishing: CPOR/CMSP Social Communication Section, with guidance from the Plastic Artist Claudio A. Callia

Print system: offset

Paper: gummed chalky paper

Sheet with 12 stamps

Facial value: 1st class rate for domestic mail

Issue: 144,000 stamps

Design area: 39 x 21mm

Stamp dimensions: 44 x 26mm

Perforation: 11 x 11.5

Date of issue: September 8th, 2021

Place of issue: São Paulo/SP

Printing: Brazilian Mint