SPP - Sociedade Philatélica Paulista
INÍCIO |
 
Informação mais
01-História
02-Presidentes da SPP
03-Diretoria do Biênio 2010/2011
04-Associados Mantenedores
05-Biblioteca
06-Boletim Informativo
07-Premiações do Website
08-Associe-se a SPP
09-Benefícios dos Associados
10-Localização da sede própria
11-Programação de Eventos na Sede
12-Exposições/Palestras na Sede
13-Exposições Nacionais e Internacionais
14-Links Filatélicos
15-Correios no Mundo
16-Museus Postais e Bibliotecas
17-Federações Filatélicas Internacionais


CONTATO
Notícias mais
Filatelia
Notícias
Últimas notícias mais
Programação Set/Dez 2010
Palestra: Musica Clássica Brasileira
10º Encontro Paulistano de Filatelia
Sabado Filatélico em SP
Expofinter 2010
Notícias e Informações.  
Investir em selos clássicos brasileiros é bom negócio?   Data: quarta 03 fevereiro, 2010
Novo Resumo:
Uma visão acadêmica sobre investimentos em selos clássicos do Brasil

Novo Conteúdo:

Denis Forte
denisfortebr@yahoo.com.br

Publicado no boletim informativo da SPP n.º 206 - dezembro/2009

Mas afinal, investir em selos clássicos brasileiros é bom negócio? Uma visão acadêmica

Esse artigo apresenta os resultados de uma dissertação de mestrado na área de finanças apresentada na Universidade federal de Juiz de Fora em 2008, usando como base selos clássicos do período de 1843-1889 e cotações levantadas a partir de catálogos entre 1954 e 1988.  Os principais resultados demonstram que um reduzido número de selos do período apresentou resultado financeiro compatível com o processo de diversificação esperado na área de investimentos financeiros.  Como discussão paralela ao estudo, discute-se a função social do colecionismo.

Como pesquisador na área de Finanças, sou levado a ler inúmeros trabalhos novos no nível de mestrado ou doutorado. Deparei-me com uma dissertação de mestrado de alto nível, conciliando meu hobby de 25 anos e minha área profissional. Trata-se de uma dissertação de mestrado de forte teor acadêmico, de Sandro Ferreira de Freitas, orientado pelo professor Moisés de Andrade Filho e cuja minha ex-colega na USP, Fernanda Perobelli, foi co-orientadora: ”Avaliação de bens tangíveis: uma aplicação do método de preços hedônicos para avaliar atributos raros de peças filatélicas na construção de carteiras eficientes”.

Um trabalho científico visa a demonstrar o correto uso metodológico e a fundamentação teórica para atingi-lo, o que não é objeto desse artigo, pela aspereza das técnicas e detalhes científicos. Entretanto, por se tratar de um dos raros estudos mundiais usando a filatelia como fundamentação, quanto mais brasileira, creio que é oportuno verificar o que o agora Mestre Sandro de Freitas detectou em nosso restrito mercado.  Vale reforçar que são dados históricos, e que a projeção futura independe do passado, e, portanto nada se pode concluir sobre o comportamento futuro desses selos.

A escolha dos selos como objeto de estudo pelo Freitas (2008), que não é filatelista (ainda) mas interessado na área, é explicada por ele devido às características peculiares dos mesmos, ou seja, são heterogêneos (diferentes entre eles) e nas próprias emissões (com características de papel, cor, erros, etc.) e que, devido a estas próprias características que agregam valor, possuem atributos de raridade. De fato, basta observar a cotação nos catálogos das variedades de qualquer época, para verificar a relação de preço entre o “diferente”, o “singular” e a tiragem padrão. E daí, por muitas vezes, a procura incessante do filatelista por variedades não catalogadas e os estudos que derivam desta busca.

Neste ponto o Freitas (2008) analisa as características dos atributos e os retornos nos preços, através de uma análise de séries temporais e verifica essa relação em uma carteira de investimento para o que se convencionou chamar em finanças de carteira eficiente. Poupo o leitor de dados técnicos, que ele pode obter diretamente se quiser ler o trabalho original.

Abro um parêntese de análise do autor quanto ao perfil do colecionador de selo.  Citando Belk (1995 apud Freitas 2008), colecionismo é o “processo de adquirir ativa, seletiva e apaixonadamente e possuir coisas de uso comum e percebidas como partes de um conjunto de experiências e objetos não idênticos” sendo ainda “uma busca aquisitiva, possessiva e materialista” e “uma obsessão aquisitiva organizada”.  Ainda segundo Belk (1995 apud Freitas, 2008) “há benefícios para este comportamento, mas também problemas, para o indivíduo, para a família e para a sociedade, tais como pensar por exemplo, que só deriva prazer a partir da posse de objetos colecionáveis”.  E ainda, segundo Burton e Jacobsen (1999 apud Freitas) , a atividade de colecionar conjuga desde fatores pecuniários até psicológicos ou de “pertencer a algum grupo”. Saúdo aqui o artigo de Sergio Silva (2008) intitulado “Família e filatelia”.  O autor caracterizou o potencial problema que distanciou tantos colegas colecionadores, e oferece a possibilidade de conciliar Hobby e família. Outro exemplo positivo é da própria Sociedade Philatélica Paulista, que concilia mensalmente churrasco com mini-leilões, justamente quebrando o estigma isolacionista criado pelo Hobby, integrando familiares que não são colecionadores, e gerando elos sociais sustentáveis. Outro exemplo é o projeto social do conhecido filatelista João Roberto Baylongue nas escolas de diversas cidades, apresentando a história através dos selos. A filatelia assim ultrapassa o já importante objetivo cultural, para ser elemento de incorporação social e cidadania.

Fechando-se o parêntese e voltando ao tema principal do artigo, Freitas (2008) destaca que o valor do selo depende de data de emissão, quantidade disponível e atributos de raridade (características que o diferenciam).  Freitas (2008) acrescenta ainda que a filatelia atraiu também investidores, que não estão interessados propriamente no bem, mas sim em seu retorno ( o que em finanças está relacionado ao risco de obtenção do resultado positivo).  A casa britânica Stanley Gibbons possui, por exemplo um setor de investimento, e  criou até dois índices para medir a valorização de peças mundiais (100 mais populares)  ou britânicas (30 mais raros).

Para o estudo em questão, Freitas (2008) usou as séries clássicas, os olhos de boi (figura 1), inclinados, olhos de cabra, olhos de gato, os Dom Pedro (figura 2) e os tipo cifra (figura3), de numeração 1 a 69 no RHM.  Freitas (2008) usou os catálogos da firma Santos Leitão (1954 a 1974), Francisco Schiffer (1964 a 1968) e RHM (1975 a 1988), com a ajuda técnica do filatelista Reinaldo Jacob.


Figura 1 - Olho de Boi
Carimbo de Campos/RJ



Figura 2 - Dom Pedro Percê



Figura 3 - Tipo Cifra

Na análise descritiva de sua amostra, Freitas (2008) verifica que “somente 11,6% das emissões apresenta algum tipo de erro de impressão, como deslocamento de imagem, falhas na impressão, reincisão, etc..)”. Levantou também preços de múltiplos (figura 4 e figura 5). Destaca também que algumas apresentam legenda (Dom Pedro Figura 6).  Dos 326 milhões de selos disponibilizados, 152 milhões eram de100 réis, o porte usual da época. O estudo levantou 24.278 cotações em 35 anos. A média de cotações por catálogo saltou de 581 cotações ao ano no início para 1200 a partir de 1985, destacando-se o ano de 1979 com introdução de inúmeras variedades.


Figura 4 - Quadra Olho de Cabra



Figura 5 - Par Dom Pedro Cabeça Pequena



Figura 6 - Dom Pedro Legenda


A análise das cotações dos catálogos não reflete exatamente o preço de balcão, das vendas efetivas, mas pode ser usado como valor de referência. Nos anos 50, a cotação média subiu 7,32% ao ano em média, nos anos 60 de 0,42% ao ano, nos anos 70 de 3,56% ao ano e nos anos 80 de -3,20%. A volatilidade das cotações (desvio padrão) também aumentou no período.

 Em um balanço global, as cotações cresceram 400% no período. Mas a valorização representou apenas 1% ao ano, com alta volatilidade. O fato de ser novo ou usado não representou, na média, diferença representativa de retorno. Mas a categoria analisada de “ presença de pelo menos uma variedade”  mostrou-se superior à média. Também o fato de ser peça (por exemplo quadra), ou tipo de papel (grosso, acinzentado/azulado, etc..) e do primeiro período, ou sem carimbo, alterou positivamente o retorno,  demonstrando estatisticamente o que o filatelista já sabia, que a escolha de peças não usuais e tem dado maior retorno médio.

Conclusão

O objetivo desse artigo foi trazer elementos de informação ao leitor referentes a um tema recorrente que é a filatelia clássica como opção de investimento. Para atingir este objetivo, procuramos “traduzir” os resultados de uma dissertação de mestrado  que usou o período clássico básico como elemento de estudo.  Os resultados demonstraram que a filatelia tem um retorno positivo ao longo do tempo, mas sua variabilidade e dimensão não permitem que se pense de modo financeiro tradicional. A figura muda de questão quando se tratam de variedades ou de peças compostas, reforçando o que se sabe: na filatelia a especialização gera inclusive retorno financeiro. Trata-se assim de mais uma evidência para que o filatelista procure o Hobby pela diversão e pela participação em uma atividade cultural e social, e que busque a realização pessoal em primeiro aspecto. Também o recado que passe de ajuntador de selos à colecionador, dando motivação à existência de cada peça em sua coleção e enriquecendo o todo. Quem ainda tem dúvida se é um bom negócio, que procure pelos resultados da filatelia de elite como o leilão do Feldman, que apresentou um recorde na série de olho de boi circulado em carta com mais de 1.000.000,00 de dólares.

Referências bibliográficas:

FREITAS, Sandro de F. Avaliação de bens tangíveis: uma aplicação de preços hedônicos para avaliar atributos raros de peças filatélicas na construção de carteiras eficientes. Acesso em 01/2008. Disponível em

http://biblioteca.universia.net/irARecurso.do?page=http%3A%2F%2Fwww.bdtd.ufjf.br%2Ftde_busca%2Farquivo.php%3FcodArquivo%3D230&id=37791032

SPP – Boletim Sociedade Philatelica Paulista – n.º 203, dezembro, 2008.

Autor: Denis Forte, sócio da D.F. treinamento Empresarial, Mestre pala FGV/HEC e Doutor pelo Mackenzie onde é professor filatelista associado à SPP desde 1983.



Estatísticas de Artigo:
Visualizado:845
Revisões atuais: 0
Escrever comentário VoltarContinuar

 SPP - Sociedade Philatélica Paulista 
 Fone: (11) 3223-7850 - Largo do Paissandu, 51, 17º Andar - São Paulo - SP - Cep: 01034-900 

Loja Instalada e Hospedada por: www.haven.com.br 

Haven