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“Gauchitos”, Os selos de Buenos Aires

Artigo publicado pelo autor originalmente na coluna FILATELIA do jornal “O Estado de S.Paulo”  – 12.03.86.

“GAUCHITOS”, OS SELOS DE BUENOS AIRES

(Mario Xavier Junior)

Em 1856 foram impressos os “gauchitos”, os primeiros selos para o correio da Província de Buenos Aires, então com governo independente da Confederação Argentina.

No final do ano de 1855, o ministro Valentin Alsina sugeria ao administrador geral dos correios, Juan Manuel de Luca, a idéia de que o método mais adequado para franquia de correspondência seria por meio de selos adesivos com diversos valores, diferenciados por cores. O administrador geral, endossando a sugestão, encarregou dois litógrafos, Katzentstein e Castelli para a execução dos trabalhos de impressão.
Os “gauchitos” mostram, dentro de uma oval, a figura legendária de um gaúcho dos pampas montado a cavalo e mirando o sol nascente, enquanto carrega um saco de correspondência. Numa faixa superior do desenho está a palavra “Correos” e noutra, inferior, no centro, a cifra do valor com a abreviatura de “Reales”, e à esquerda e à direita as letras “Bs” e “As”, respectivamente, que identificam Buenos Aires. Foram impressos litograficamente quatro valores em folhas de 6 filas horizontais de 6 selos cada uma, em papel branco, não denteado. Estima-se o total impresso em 1200 exemplares de cada um dos quatro valores, o 4 reales, amarelo, o 6 reales, verde, o 8 reales, violeta e o 10 reales, azul.
A alegoria do desenho prestava homenagem aos primeiros “chasquis”, que por volta do ano de 1800 ligavam Buenos Aires a Tucuman, onde era feito o intercâmbio do correio com destino a Sucre, no Peru. Estes esforçados “chasquis” cumpriam uma jornada de ida e volta de 18 dias a cavalo, com apenas um dia de descanso, enfrentando grandes adversidades no percurso. Seus caminhos atravessavam riachos e pântanos sob os calores do verão e os frios do inverno. Além disso, os perigos representados por índios e animais dificultavam a tarefa de manter as rudimentares comunicações daquela época.
Segundo consta, a entrada em circulação dos “gauchitos” foi protelada porque as autoridades temeram falsificações dos selos pelo fato de serem litografados e não gravados, condição mais difícil de ser imitada.
Em 1857 o governo adotou o peso como nova moeda e uma nova lei reorganizou os serviços postais em Buenos Aires, fixando aumento no porte das cartas. Com isto, os valores faciais dos “gauchitos” ficaram obsoletos antes mesmo de sua entrada em circulação, que acabou não acontecendo. Deste modo, os famosos “gauchitos” entraram na extensa galeria dos selos “não emitidos” da Filatelia.

Referências:

1 – Artigo publicado originalmente na coluna FILATELIA do jornal “O Estado de S.Paulo”  – 12.03.86.

2 – “Stamps of Fame”, by L.N. and M.Williams, Blandford Press Ltd, Londres, 1949.

3 – “The World of Classic Stamps”, by James A.Mackay, J.P.Putnam’s Sons, New York, 1972.