Centenário do Guarani Futebol Clube
18/02/2011
50 anos da Filatélica Marek!
27/02/2011
Exibir tudo

Colaboração e Resistência ll

Lídice

Colaboração e Resistência II Parte
Miguel R. Magalhães

LÍDICE

Muitas histórias sobre os atos da resistência durante a II Guerra Mundial, são até hoje lembrados. Um dos eventos marcantes desse confronto ocorreu na antiga Tchecoslováquia, uma história de ousadia mas com um final previsível que até hoje emociona pelo aspecto sinistro de uma retaliação sem limites contra a vida de pessoas de uma pequena vila.
Os acordos de Munique em 1938, cedendo os Sudetos à Alemanha, deram início a ocupação total de Tchecoslováquia, que durante o regime Nazista passou a chamar-se protetorado da Boêmia-Moravia. No exílio, na Inglaterra à época o Presidente da Republica Dr. Benes, vendo seu país totalmente ocupado, organizou um movimento de resistência. Foram criados comandos que aquartelados na Inglaterra saltavam de para-quedas em solo Tcheco para as mais diversas missões, como espionagem, sabotagem etc..
Um desses comandos tinha uma missão secretíssima, e sua realização talvez tenha sido um dos atos de maior repercussão contra o dominio nazista naqueles tempos.
O comando Antropóide tinha como missão assassinar Reinhard Heydrich o “Protetor” da Boêmia-Moravia.
A manhã de 27 de maio de 1942, era o início de mais um dia de trabalho para o SS Heydrich, mal sabia ele que seria um dos últimos dias de sua vida. Partiu cedo de sua residência, juntamente com seu motorista e sem escolta, pelas ruas de Praga, quando os homens do comando Antropóide, liderados por Josef Gabcik, interceptaram o veículo e com rajadas de metralhadora (das quais algumas falharam na hora “H”) e uma granada de mão consumaram o atentado.
Heydrich ficou gravemente ferido e veio a falecer de septicemia oito dias após o atentado. Seu funeral teve toda a pompa e honras militares, contando com a presença de toda a cúpula nazista, inclusive o próprio Hitler.
Os fatos que se sucederam após esse episódio demonstram o terror vivido por todos aqueles que se opunham à dominação do regime nazista.
Hitler dera ordem para uma vingança sem precedentes. Queria ele a morte imediata de todos aqueles envolvidos no assassinato do “protektor”. Após as investigações, algumas pistas levaram a aldeia de Lídice. Os fatos que se seguiram, se resumem em uma matança sem precedentes, uma vingança absurda, que tirou a vida de inocentes e deixou o mundo todo a prantear esse crime bárbaro. Em 9 de junho de 1942 as ordens foram as seguintes:

1. Todos os homens serão executados, por fuzilamento.
2. Todas as mulheres serão enviadas para campos de concentração.
3. As crianças capazes de serem germanizadas deverão ser enviadas para o seio de familias SS, na Alemanha; as demais internadas em campos de concentração.
4. A aldeia depois de incendiada, deverá ser arrasada.
   
Em 10 de junho de 1942 cumpriam-se as ordens e Lídice deixava de existir, levando consigo todos ou quase todos os seus habitantes.
A destruição de Lídice, para os nazistas serviria de exemplo e seria uma maneira de desencorajar novos atos de insubordinação.
As investigações prosseguiram, pois os verdadeiros autores do atentado ainda continuavam livres. Após receberem denuncia enviada através de uma carta anônima, (que mais tarde soube-se, enviada por um membro da própria resistência) uma onda de prisões foi efetuada. Um jovem indiretamente envolvido no atentado, após passar pelos temíveis interrogatórios da Gestapo, não resistiu e acabou confessando que os paraquedistas estavam escondidos na cripta da igreja de São Cirilo e São Metódio em Praga.
Na manhã de 18 de junho, cerca de 360 homens das unidades SS cercaram a igreja. Valcik, Gabcik e Kubis estavam na cripta, juntamente com o comando reserva composto por Svark, Bublik e Hrubý. O confronto era evidente pois eles não se entregariam vivos de maneira alguma, lutariam enquanto tivessem munição. Depois de demorados combates, varios homens SS conseguiram penetrar na cripta. O fim do combate ocorreu quase três horas depois, com quase todos os membros da resistência suicidando-se.
Ao final da guerra, poucos foram responsabilizados por esse crime. O comandante das operações, Max Rostock, foi preso e julgado, sendo enforcado em Praga em gosto de 1951. O sucessor de Heydrich como “protektor”, Karl Hermann Frank, ficou conhecido como “Carniceiro de Praga”, foi preso, julgado e enforcado em Nurenberg em 1946.
Não só Lídice foi sacrificada. Em junho de 1944, uma pequena aldeia francesa, Oradour-sur-Glane, de apenas 652 habitantes, teve o mesmo destino trágico da pequena vila dos tchecos.
Em varios países foram criados movimentos para que a destruição de Lídice não  caísse no esquecimento. Um desses movimentos visava rebatizar localidades com o nome de Lídice. No Brasil também existe uma Lídice,no estado do Rio de Janeiro, rebatizada para homenagear as vitimas desse ato brutal.

                                      

                                                   Dr. Benes 


   Selo da ocupação c/ sobrecarga                  Selo já com o nome oficial

                     
         Joseph Gabcik                                      Reinhard Heydrich


Cartão circulado internamente com selo em homenagem ao SS.


Inteiro Postal de Lídice reconstruida no final dos anos 40.


Envelope enviado para o autor, de Lidice RJ para São Bernardo do Campo em 2010.

continua….