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Os Sóis de Montevideo

Os "Diligências" do Uruguai

OS “DILIGÊNCIAS” DO URUGUAI

Mario Xavier Junior

Nas primeiras emissões uruguaias não aparecia o nome do país. Este fato em si era relativamente comum nos primeiros selos emitidos no século dezenove. Brasil e Inglaterra são os primeiros exemplos que vêm à mente. Mas o que fazia realmente diferentes os primeiros selos do Uruguai, era que eles traziam inscrito o meio de transporte da correspondência, as diligências.
Os selos foram emitidos em 1° de outubro de 1856 por Atanasio Lapido que, em 1852 havia assinado um contrato com o governo uruguaio, pelo qual ele seria o responsável pelos serviços do correio. Lapido estabeleceu cinco linhas de diligências partindo de Montevidéu para diferentes localidades no país. Em março de 1856, ele foi nomeado chefe dos correios e exerceu o cargo simultaneamente com a condição de dono da companhia de diligências. Foram emitidos três valores, 60 centavos (azul), 80 centavos (verde), e 1 real (vermelho), Yvert 1/3, Fig. 2 e 3, mostrando uma face humana representando o sol com seus raios. Daí serem também conhecidos como os “Sóis de Montevidéu”.

                          
Fig.2                                                                       Fig.3

Estes selos foram usados somente em cartas transportadas por diligências e só muito raramente se encontram obliterados. As raras obliterações foram feitas à pena em forma de cruz. Existem alguns exemplares usados com carimbo postal, porém as circunstâncias de seu uso são incertas.
Os primeiros “Sóis” foram impressos litograficamente por Lucien Bertrand Mege, em folhas de 35 selos formadas por sete filas horizontais de cinco selos cada. Foi usada apenas uma pedra para imprimir os três valores. O primeiro a ser impresso foi o 60 centavos. Depois de terminada a impressão, as cifras do valor na parte inferior do desenho foram raspadas e substituídas por 80. O mesmo foi feito para o valor de 1 real, sendo que neste caso foi substituído todo o quadro do valor.
O uso dos 60 centavos foi maior do que o previsto e um ano depois o seu estoque se esgotou. Lapido solicitou a Mege novo suprimento de selos e este decidiu fazer nova pedra para a impressão porque a original já estava muito gasta. Da nova chapa, com ligeiras diferenças do tipo original, resultou o 60 centavos, tipo II (Yvert 1A), Fig. 1, o mais raro dos “Diligências” e o mais raro selo do Uruguai, existindo apenas sessenta ou setenta exemplares conhecidos no mundo inteiro.

Fig.1

Em 1858 foram impressos dois valores, 180 e 240 centavos, em formato ligeiramente maior, para uso em cartas para a Argentina. Porém permanecera a inscrição “Diligencia” no topo do desenho e a correspondência, no caso, era transportada por navios… Assim a emissão foi cancelada (Yvert 2A e 3A). Mas logo em seguida a inscrição foi alterada para “Montevideo” e acrescentado “Correo” nas laterais, aparecendo então três valores, 120, 180 e 240 centavos (Yvert 4/6), Fig. 4.

                             
                                              Fig.4

Os selos de 120 e 180 centavos estavam dispostos em folhas de 78 exemplares, distribuídos em treze filas horizontais de seis selos e cada folha continha um desenho invertido, criando assim um “tête-bêche” por folha. O selo de 240 centavos foi impresso em folhas de 204 selos, numa disposição bastante curiosa – doze filas horizontais de dezessete selos, porém com sete espaços vazios, não impressos. É nesta emissão que se encontra o famoso erro de cor do 180 centavos (Yvert 5c), vermelho ao invés de verde.
Em 1859 os “Sóis” foram novamente modificados. Mas ainda não foi desta vez que apareceu o nome do país. O desenho teve pequenas alterações e a denominação monetária apareceu correta pela primeira vez, centésimos, ao invés de centavos, divisão do peso não adotada no Uruguai. Foram emitidos seis valores, 60c, 80c, 100c, 120c, 180c e 240c. (Yvert 7/12), Fig. 5, 6 e 7, e no ano seguinte, com outras ligeiras modificações, foram emitidos novamente cinco valores (Yvert 13/17).

   
Fig.5                                   Fig.6                                    Fig.7


Em 1864, o tipo Armas (Yvert 18/22) substituiu os “Sóis”, com o nome de Republica Oriental, Fig. 8. Somente em 1866, com o tipo Cifras (Yvert 29/33), é que aparece, finalmente, o nome Uruguai, Fig. 9.

                               
Fig.8                                                                            Fig.9

Referências:

1 – Artigo publicado originalmente na coluna FILATELIA do jornal “O Estado de S.Paulo” – 13.04.85.

2 – “Stamps of Fame”, by L.N. and M.Williams, Blandford Press Ltd, Londres, 1949.

3 – “The World of Classic Stamps”, by James A.Mackay, J.P.Putnam’s Sons, New York, 1972.