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“Colaboração e Resistência”

"Pequenas histórias de uma grande história"

COLABORAÇÃO E RESISTÊNCIA

Pequenas Histórias de uma grande História

Miguel R. Magalhães

Passadas décadas do final da II Guerra Mundial, muitos fatos ocorridos durante o conflito ainda causam polemicas e controvérsias.
Essas duas palavras (Colaboração e Resistência) caminham lado a lado em todos os paises ocupados ou não pela Alemanha.
As façanhas efetuadas pelos grupos de resistência, são sempre lembradas e enchem de orgulho ufanista todas as nações que tiveram mártires nesse período. Serão sempre contadas e recontadas e jamais esquecidas, apesar de muitos terem sofrido o contra golpe desses atos, mas o heroísmo de patriotas que perderam a vida tentando livrar seus paises do jugo nazista, eternamente serão lembrados.
 Por outro lado, houve muitos casos de colaboração com o inimigo que se apoderara de seus paises. Pelo fato de se acovardarem ou de estarem de acordo com o ideologismo nazista muitos se alinharam ao lado dos ocupantes e junto com os mesmos cometeram atos, pelos quais até hoje são considerados traidores.
Muitos também foram obrigados a se alistarem nas fileiras inimigas, mas o que realmente passa a história é o ato de não oferecer resistência a imposição inimiga.
Filatelicamente esse período é muito rico, na área colaboracionista existem varias emissões que nos contam o momento vivido pelas nações naqueles anos.
Já, por razões obvias, os selos que contam as façanhas da resistência na sua maior parte foram emitidos após o final das hostilidades. Muitos ainda serão emitidos no decorrer dos anos, pois a cada dia surgem novas histórias sobre a II Guerra Mundial. O estudo desse período nas emissões filatélicas e de história postal nos leva a uma viagem aqueles dias. Dias que jamais serão esquecidos! 

Parte I

Passados 65 anos do final da segunda guerra mundial, duas palavras ainda causam muita polêmica nos países que foram ocupados pela Alemanha. “Colaboração e Resistência”
Vejamos então qual a definição que o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa nos dá sobre elas:

Colaboração: Trabalho em comum com uma ou mais pessoas; cooperação
Resistência: 1. Ato ou efeito de resistir. 2. Força que se opõe a outra, que não cede a outra. 3. Oposição ou reação a uma força opressora.

Agora usando palavras derivadas de ambas:

Colaboracionista: Diz-se de, ou nacional de um país ocupado que apóia as forças de ocupação ou com elas colabora.
Resistente: Que resiste ou reage.

A filatelia nos ajuda a mostrar esse capitulo da história com uma grande variedade de selos que foram emitidos durante esse conflito. Vamos neste primeiro capítulo, citar os colaboracionistas, aqueles que de uma forma ou outra resolveram lutar ao lado dos alemães e fizeram parte das temidas divisões Waffen SS. (apelidados de soldados da morte)
                             
         Soldado SS                                             SS Legião Flamenca

Durante os anos de glória do Exercito Alemão (1940/41), não foi dificil amealhar simpatizantes para a causa nazista nos países ocupados. No princípio, o alistamento voluntário deveria seguir algumas regras de cunho racial. 
s candidatos a soldado deveriam ter o sangue nórdico puro ou serem alemães raciais (Volksdeutsche), imigrantes vivendo nos vizinhos orientais da Alemanha.
A campanha dos Balcãns de 1941 abriu nova reserva, pois Romênia, Hungria e Iugoslávia abrigavam grandes comunidades de alemães raciais. Para os jovens desses países, as SS pareciam oferecer o escoadouro mais imediato para boa dose do ressentimento pela sua condição minoritária. Além disso, em todos os países ocupados pela Alemanha, havia partidos de ideologia nazista e seus simpatizantes se espelhavam na doutrina da superioridade da raça ariana.
Os países escandinavos eram, a princípio, ideais para que se criassem as primeiras legiões de soldados SS, sendo que em meados de 1940 foram criados os dois primeiros standarten (Westland e Nordland), que foram formados respectivamente por holandeses e belgas flamengos e por dinamarqueses e noruegueses. Quando se resolveu criar uma divisão em torno desses dois standarten, no começo da guerra com a Rússia, menos de um terço da divisão “Viking” era composta de nórdicos.
Todas as legiões teriam treinamento nas escolas SS, menos a Legião Francesa, que seria treinada e liderada pelo exercito alemão. Ela recebeu o nome de Legião de Voluntários Franceses, originalmente criada em julho de 1941, por fascistas franceses, com o nome de Legião Francesa Antibolchevista.

Legião Francesa

       
Legião Francesa Antibolchevique                                     Belgas Flamencos

Mais tarde foi patrocinada pelo governo de Vichi. A legião francesa e a legião da Valônia formadas pelos Rexistas de Degrelle, na Bélgica de língua francesa tornaram-se “Regimentos SS de Voluntários”.
                
Legião Belga Wallonie                                     Legião Belga Flamenca
Outro regimento de voluntários SS de grande destaque, com atuação na Polônia, foi a Legião Holandesa, mais tarde elevada à condição de divisão (23ª Divisão Blindada Nederland). Durante os anos de guerra, de acordo com relatórios encontrados nos arquivos SS, chegaram a se alistar cerca de 50 mil homens. Alguns desses voluntários tiveram o papel de milicia nazi-holandesa  em seu próprio território tendo sido aniquilada na Batalha de Berlim.
Tivemos tambem a 11ª S.S. Panzergrenadier Division “Norland”, formada em 1943 com sobreviventes das legiões dinamarquesa, holandesa e norueguesa, lutando na Croácia ao lado dos colaboracionistas croatas. Uma curiosidade dessa divisão é que ela perdeu seus três comandantes: Fick, Von Scholz e Ziegler. Atuou também em Stargard, e foi aniquilada nos arredores de Berlim. Na Iugoslavia onde o sentimento anti-semita também aflorava, tivemos dois grupos de colaboracionistas sendo um dos mais destacados, os Ustachis(croatas), separatistas que formaram um legião SS e que eram especializados na luta contra os Partizans Comunistas de Tito.
Algumas legiõs praticamente não sairam do papel, mas demosnstraram a amplitude da propaganda nazista em amealhar para seus quadros simpatizantes de todas as nacionalidades. Um  exemplo dessa capacidade foi a Legião Indiana Freies Indien que era considerada uma piada pelo próprio Hitler.Muitas outras legiões, divisões e batalhões foram formados durante a Segunda Guerra, umas com mais, outras com menos destaque. É impressionante como a filatelia nos mostra exemplos claros, através de selos emitidos no decorrer do conflito, de como podemos contar esse capitulo da história. Talvez a maioria dos envolvidos gostariam de esquecer esses fatos. Uma pagina triste para todas as nações que tiveram seus territórios invadidos e, ainda assim colaboraram com o opressor. Além da luta ao lado dos nazistas através da Waffen-SS muitos outros colaboraram no cotidiano de seus países ocupados. Por outro lado, muitos morreram lutando pela liberdade, motivo de homenagens até hoje, incorporados que foram à galeria de heróis da guerra.

Bloco da Legião Croata

                    
  Legião Croata                Legião Norueguesa        Legião Indiana

                        
    Freis Indien                                       Legião Holandesa


Bloco da Legião Holandesa

Muitos dos colaboracionistas que se alistavam nas Waffen SS o faziam  não só por simpatizarem com os nazistas, mas também para lutarem contra os Bolcheviques, comunistas que na época causavam medo maior até que o próprio Nacional Socialismo.  
A luta não era apenas de pessoas com armas, em todas as áreas existiam simpatizantes da causa Nazista, na politica, na religião, nas artes, nos esportes entre outras. Existe muita controvérsia à respeito de varias pessoas e países que, colaboraram ou agiram de forma passiva diante dos crimes que eram cometidos. A colaboração se estendeu mesmo no pós guerra, com a ajuda a muitos criminosos a não responder pelos seus crimes durante a guerra.
Na França um dos nomes que geram mais controvérsias é do Marechal Philippe Pétain, herói durante a 1ª Guerra Mundial, tornou-se chefe de governo em 1940 e assinou o armistício com os alemães. Instalou o seu governo em Vichy, durante a ocupação alemã e exerceu uma política colaboração e autoritarismo. Após a guerra, foi julgado e condenado a morte, tendo a pena sido comutada a prisão perpértua na ilha de Yeu, onde faleceu em 1951.
Na Noruega seu nome; Vidkun Quisling virou sinônimo de traição. Politico ministro da guerra (1931/33), fundou o Agrupamento Nacional pró-nazista e praticamente, abriu as portas da Noruega para a invasão alemã. O traidor alertou os alemães para uma iminente invasão inglesa e da importância de tomarem a dianteira na ofensiva. Devido aos serviços prestados tornou-se chefe de governo durante a ocupação alemã (1942).Após a libertação da Noruega, foi julgado em Oslo, condenado a morte e executado.
No Vaticano muitos anos ja se passaram e até hoje não se encontram explicações para as atitudes do Cardeal Eugênio Pacelli,o Papa Pio XII em relação ao Nazismo. Seu silencio diante das atrocidades cometidas entre o ano de sua sagração no posto principal da igreja Católica em 1939, até o final da guerra em 1945. Suas atitudes ainda causam acaloradas discussões entre os que defendem a sua posição e aqueles que acham que uma atitude mas forte de sua parte, poderia ter ajudado a impedir ou amenizar a barbárie que resultou a II Guerra Mundial.
Na América do sul, idolatrado por uns e odiado por outros, Juan Domingo Perón, participou do golpe militar de 1943 pelo qual se tornou Vice Presidente e Ministro da guerra e do trabalho na Argentina. Sua relação com o fascismo vem do período em que foi adido militar em Roma, no ano de 1933. Ele nunca escondeu suas relações amigáveis com a Alemanha de Hitler. Perón só viria a declarar guerra contra a Alemanha, após forte pressão dos aliados em 1944. No pós guerra, a Argentina tornou-se um refúgio seguro para muitos destacados criminosos de guerra.
Já o Brasil apesar das tropas enviadas para Europa para lutar ao lado dos aliados vivia-se uma ditadura. Getúlio Dornelles Vargas sempre se equilibrou entre as nações democráticas e o nazi-fascismo, expressando uma neutralidade de interesses, chegando mesmo a proferir um discurso favorável a Alemanha. Um dos atos mais comentados foi a entrega da esposa grávida de seu opositor ferrenho Luiz Carlos Prestes. Olga Benário foi entregue ao Nazistas pelo então chefe da Policia Federal, e simpatizante nazista, Filinto Müler. Ela viria morrer em 1942 na câmara de gás, em um campo de concentração na cidade alemã de Bernburg, onde morreram cerca de outras 200 mulheres.

          
  Philippe Pétain                  Vidkun Quisling                      Juan Domingo Peron 

                                               
                           Pio XII                                      Getulio D. Vargas


Envelope circulado da antiga Alemanha Oriental para a Finlandia com selos de vitimas do nazismo entre elas Olga Benário Prestes.

Continua…..