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Selo Comemorativo do Milésimo Gol de Pelé

Lançado em 28 de novembro de 1969, selo comemorativo ao milésimo gol de Pelé

O Selo do Milésimo Gol de Pelé

Reinaldo Jacob

Publicado no jornal FILCAP n.º 165 – março 2010

Na data de 28 de novembro de 1969 ocorreu o lançamento do selo em homenagem ao milésimo gol de Pelé (Edson Arantes do Nascimento), com carimbo comemorativo disponível somente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro e Primeiro Dia de Circulação em todas as Regionais. Houve também a emissão de um bloco com a mesma imagem do selo, na data de 23 de janeiro de 1970.


Conjunto de 8 selos, carimbos de primeiro dia de circulação e comemorativo da
cidade de São Paulo

Na imagem do selo está claramente visível a expressão do gol, apresentando o atleta do século de costas, sem visualizar seu rosto, em seu modo peculiar de socar o ar, com a camisa 10 da seleção brasileira.

Mas estaria Pelé com a camisa da seleção brasileira quando marcou seu milésimo gol, comemorou o marco histórico com o gesto de socar o ar e, ainda, o milésimo gol foi realmente marcado na data de 28 de novembro de 1969 ? Essas curiosidades e polêmicas envolvem a emissão comemorativa do milésimo gol de Pelé.

A história conta que o milésimo gol ocorreu no jogo Santos e Vasco da Gama, na data de 19 de novembro de 1969, partida válida pelo torneio Roberto Gomes Pedrosa, no estádio do Macaranã, Rio de Janeiro, de pênalti, foi o segundo gol do Santos na vitória de virada por 2 X 1.

Pelé não pode comemorar o milésimo gol socando o ar, houve invasão de campo de jogo no momento do gol, aos 33 minutos do segundo tempo, pelos repórteres, e somente retornou após 30 minutos de paralisação, tempo para que Pelé vestisse a camisa de número 1000 do Vasco e desse a volta olímpica.

O primeiro gol de Pelé, como profissional, ocorreu em sua estréia pelo Santos Futebol Clube, no feriado de 7 de setembro de 1956, jogo amistoso, seu último gol, de número 1284 no ano de 1982 no jogo de despedida de Franz Beckenbauer.

O milésimo gol poderia ter ocorrido antes do jogo contra o Vasco. Num jogo contra o Esporte Clube Bahia, realizado na Fonte Nova, em Salvador, em 16 de novembro de 1969, poderia ter entrado para a história se não fosse a intervenção do zagueiro Nildo. Ele deu um carrinho para tirar a bola do gol e foi muito vaiado pela própria torcida do Bahia.

A existência de 1284 gols, nas 1375 partidas disputadas, é incontestada, todos estão registrados com datas, locais, times ou seleções em que Pelé atuou e adversários.

Segundo constatou-se mais tarde, um erro levou a não ser computado um gol que Pelé marcou pela Seleção das Forças Armadas do Brasil contra a Seleção das Forças Armadas do Paraguai, no placar final que foi de 4 a 1, do dia 18 de novembro de 1959. O “rei” marcou um gol, e com isso o “verdadeiro” gol 1000 teria ocorrido em 14 de novembro de 1969, cinco dias antes daquele que foi imortalizado no Maracanã, em um amistoso contra o Botafogo da Paraíba, na partida de inauguração do estádio Governador José Américo de Almeida, aos 23 minutos do segundo tempo, também de pênalti, Pelé fez o terceiro gol da partida e àquele que “corretamente” é o seu milésimo gol.

A camisa 10 da seleção Brasileira, demonstrada no selo, começou a ser utilizada e imortalizada a partir da copa do mundo de 1958, cuja distribuição da numeração se deu de forma aleatória por um membro da FIFA, posto que, a delegação brasileira havia deixado de fornecer aos organizadores daquele mundial a numeração dos atletas. Antes da copa de 1958, Pelé atuou pela seleção brasileira com a camisa 9.

Alguns historiadores e biógrafos contestam a validade de determinados gols para efeito estatístico, argumentando que os 11 gols marcados pela Seleção do 6º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado (6º GACosM) e 11 gols marcados pela Seleção das Forças Armadas, por serem claramente seleções amadoras e não serem jogos oficiais, não poderiam ser computados.

Por este mesmo critério, eliminando os gols por seleções amadoras em torneios não oficiais, o milésimo gol de Pelé, como profissional, foi marcado em 4 de fevereiro de 1970, na goleada por 7 a 0 que o Santos aplicou no América do México.

Também não seriam computados os 65 gols marcados com a camisa do New York Cosmos, por se entender que à época a Liga Norte Americana de Futebol, além de não ter qualquer vínculo com a FIFA, ainda possuía regras próprias, como o campo de grama sintética e, por estes cálculos mais conservadores, Pelé teria “apenas” 1199 gols como profissional.

Pelé é um dos brasileiros e cidadãos que mais foi representando em selos no mundo inteiro. De qualquer forma, a homenagem feita ao rei do futebol, com a emissão do selo e bloco comemorativo, pela marca histórica dos 1000 gols, é justa e incontestável, independente da data em que tenha ocorrido.